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Um elemento parece caracterizar a gestão pública brasileira contemporânea: a adoção de conceitos, discursos e práticas gerenciais típicas do mundo corporativo. Criatividade, postura empreendedora, inovação gerencial, gestão por resultados, contratos de gestão, gestão por competências são alguns dos termos e expressões que, paulatinamente, incorporam-se ao vocabulário cotidiano das diversas instâncias da gestão pública nacional. Influenciadas pela disseminação de concepções neoliberais, calcadas nas noções de Estado mínimo e gestão por resultados, as instituições públicas cada vez mais aparentam aderir à lógica de mercado, concebendo o cidadão como cliente e adotando novas políticas e práticas de gestão, conforme disseminadas na esfera privada. No Brasil, tal fenômeno ganhou espaço a partir do processo de redemocratização, nos anos 80 do século XX, alimentado pela difusão de discursos que enfatizam uma ampla crise da administração pública, cujo equacionamento demandaria novos paradigmas de gestão, capazes de superar as estruturas centralizadas, as hierarquias formais e os sistemas de controle tayloristas prevalentes. Em outros termos, acentuou-se a necessidade de superação dos tradicionais modelos de gestão pública, burocráticos e autocráticos, por meio da difusão de novos sistemas, mais democráticos, participativos e meritocráticos. Ademais, disseminou-se, na esteira do movimento em torno da qualidade total, a relevância de as organizações públicas considerarem com maior atenção seus clientes e outras partes interessadas, rompendo corporativismos e privilégios históricos. Mesmo reconhecendo-se que o objetivo das organizações vinculadas ao Estado não deveria ser o lucro, demandava-se maior eficiência e transparência quanto ao valor que, efetivamente, elas agregavam à sociedade. Nesse sentido, as organizações públicas se veem pressionadas a rever suas estruturas e dinâmicas de funcionamento, a fim de otimizarem seus processos e rotinas, assegurando melhor desempenho e resultados mais efetivos. Como resultante, a demanda por reformas no setor passou a constituir importante elemento da agenda política nacional, inserindo-se, de forma sistemática, nos discursos de lideranças e gestores públicos, que, cada vez mais, deveriam assumir um perfil empresarial e gerencial.
A correção gramatical do texto seria preservada caso o trecho “Mesmo reconhecendo-se” (R.30) fosse substituído por Embora se reconhecesse.