///
O Brasil é um território continental com 8,5 milhões de km². Como consequência dessa vasta extensão, o país apresenta expressiva diversidade natural, traduzida na variedade de tipos climáticos, de solos, de vegetação, de fauna, de relevo. A diversidade cultural também se destaca. Como resultado da miscigenação étnica e cultural e de processos diferenciados de ocupação e uso do território, o povo brasileiro desenvolveu padrões culturais bastante variados, que são percebidos na música, na religião, nas festas folclóricas, na culinária, nos hábitos cotidianos.
Essa diversidade decorre de um padrão de diferenciação socioespacial típico de países continentais como o Brasil, e pode ser considerada uma importante vantagem econômica ainda pouco explorada. Todavia, diferenciação socioespacial e questão regional não são sinônimas. O que se considera como a questão regional brasileira não se relaciona a priori com a diferenciação socioespacial interna, mas sim com a maneira pela qual as relações políticas e econômicas foram adquirindo contorno ao longo do tempo, dado o próprio ambiente de diversidade.
Nesse contexto multivariado, é importante assinalar que a questão regional não é reflexo de um problema econômico ou de um problema político, apenas. Isoladamente, nem os aspectos econômicos nem os políticos são suficientes para explicá-la ou mitigá-la, sendo essa, ao mesmo tempo, uma questão econômica e política. Isso pode ser visto na maneira pela qual os processos de integração físico-territorial e de integração econômica foram conduzidos no país ao longo de sua história recente.
É interessante notar que, em 1750, com a assinatura do Tratado de Madri, o Brasil já tinha uma configuração territorial bastante semelhante à de hoje. Isso revela que a unidade territorial brasileira foi assegurada por mais de dois séculos sem que até hoje o país tenha realizado uma integração físico-territorial adensada, concreta. De certa forma, essa estabilidade pode também ser interpretada como estagnação no processo evolutivo da organização do Estado.
O trecho “o povo brasileiro (...) nos hábitos cotidianos” (R.7-10) poderia ser reescrito, com correção gramatical e manutenção das ideias originais, da seguinte maneira: o povo brasileiro desenvolveu padrões culturais muito diversos, que são notados na música, religião, festas folclóricas, culinária, hábitos cotidianos.