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Na “esfera do público”, o indivíduo elabora sua “identidade pública”, cujas regras de manutenção obedecem a leis mais ou menos impessoais e, em princípio, válidas para todos. É o universo da cidadania jurídica e da posição econômica e de prestígio social que o sujeito ocupa na hierarquia da sociedade. Na “esfera do privado”, o indivíduo constrói sua “identidade privada”, que tem nos afetos e nas emoções ligados ao amor e ao sexo as grandes coordenadas. É o universo da família e da casa, onde as regras de comportamento e as aspirações supostamente distanciam-se das regras funcionais, impessoais, do “mundo de fora”.
É claro que essa tipologia ideal da Escola de Frankfurt deixa de lado inúmeras zonas fronteiriças entre as duas esferas e não considera outros universos, como, por exemplo, o religioso e o artístico, em que elementos organizadores das identidades pública e privada interpenetram-se, agindo em um ou outro sentido. No entanto, de modo geral, é possível afirmar que o indivíduo moderno vive essa cisão como verdadeira e é capaz de manifestar comportamentos e sentimentos absolutamente antagônicos na vida privada e na vida pública.
Jurandir Freire Costa. Violência e psicanálise. 3.a ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2003, p. 175 (com adaptações).
Com relação às estruturas linguísticas do texto, assinale a opção correta.