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Refugado o positivismo, pus-me a estudar comigo mesmo e a fazer a coisa mais difícil de todas: pensar. Por algum tempo, acomodei-me na arquitetura de Herbert Spencer, mas sem adesão incondicional. Ainda não era bem o que eu queria. E que é que eu queria? Ignorava. E, como ignorasse, procurava. Fossei outros filósofos. Nada. Em todos, só via sistemas, o meu indefinível anseio desadorava a rigidez dos sistemas. Era o anseio por certo tipo de liberdade que não via em nenhum. Quem escapa duma prisão apavora-se só à ideia de recolher-se a outra. O destino levou-me ocasionalmente a ler uma frase de Nietzsche, numa brochura que um colega trazia debaixo do braço. Dessas frases-pólen que nos rebentam os botões lá dentro. Encomendei todas as obras de Nietzsche e mergulhei no filósofo alemão. Aquele pensamento terrivelmente libertador intoxicou-me. Um dos seus aforismos penetrou em meu ser como a coisa que procurava. “VADE MECUM? VADE TECUM.” Queres seguir-me? Segue-te. Essas palavras foram tudo — foram o meu remédio certo. Marcaram o fim da minha crise mental. Normalizaram-me. Entregaram-me a mim mesmo.
Monteiro Lobato. Monteiro Lobato: conferências, artigos e crônicas. São Paulo: Globo, 2010, p. 169-70 (com adaptações).
Assinale a opção que apresenta análise correta de aspectos gramaticais do texto.