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Em geral, os homens de ciência escrevem realmente como todos pensam que eles devem escrever sempre. O estilo é diferente, e o sábio em regra é um colecionador seco de fatos nus e crus. Aqui e ali, encontram-se homens grandemente dotados para a literatura que foram devotos da ciência, mas isso não pode suprimir o fato incontestável de que a maior parte dos cientistas mal tem uma centelha de sentimento artístico e de que a grande massa dos escritos científicos é dolorosamente desprovida de mérito literário. Mais até, a maior parte dos grandes clássicos da literatura científica deve sua reputação ao assunto mais do que à maneira como o trata, e, portanto, não faz propriamente obras de arte. É longa a lista dos escritos que entram nessa categoria e que, pondo-se de parte o grau variável do seu mérito artístico, devem ser incluídos entre as grandes obras do gênio humano, em razão da enorme influência que exerceram no progresso do pensamento e da própria civilização. Assim, os vários escritos científicos de Aristóteles forneceram o que parecia a última palavra em quase todos os ramos do conhecimento humano durante cerca de cem gerações de adeptos. A descrição dos entes que povoaram sucessivamente o globo, e que não deixaram da sua existência outra recordação além de ocasionais vestígios fósseis, foi-nos apresentada pela primeira vez nas Ossamenta Fossiles, de Cuvier. A origem dessas populações sucessivas, esboçada por Lamarck em 1809, foi cabalmente explicada meio século mais tarde em A Origem das Espécies, de Darwin. Entre tantas outras, cada uma dessas obras marcou uma época e há de permanecer eternamente famosa em consequência do muito que adiantou o nosso saber, embora muitas delas, como a última citada, não estejam ao alcance de grande parte dos leitores instruídos, em razão da intrínseca natureza das questões tratadas.
Os sujeitos das orações cujos núcleos são as formas verbais “devem ser incluídos” (l.15) e “exerceram” (l.17) retomam o mesmo antecedente: “escritos” (l.13).