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Em um momento em que os Estados-nação se dobram diante das forças do mercado, os dirigentes políticos sonham com estabilidade. Ora, as formas de governo utilizadas pelos impérios fascinam por sua resistência aos sobressaltos da história, sua plasticidade e sua capacidade de unir populações diferentes. Por que nos interessar pela noção de império? Não vivemos hoje em um mundo de Estados-nação? São eles, por exemplo, que têm seus assentos na ONU, com suas bandeiras, seus selos postais e suas instituições. No entanto, o estudo dos impérios, antigos ou recentes, permite acessar as raízes do mundo contemporâneo e aprofundar nossa compreensão das modalidades de organização do poder político, ontem, hoje e — por que não? — amanhã. O conceito de Estado-nação baseia-se em uma ficção, a da homogeneidade: um povo, um território, um governo. Os impérios nascem da extensão do poder através do espaço e se assentam na diversidade: eles governam de maneiras diferentes povos diferentes, sob uma dupla tensão. Por um lado, a vontade dos líderes políticos de estender seu controle territorial, em um contexto em que os povos vivem realidades socioculturais variadas, alimenta o expansionismo. Por outro, o fato de o império absorver povos diferentes faz que alguns de seus componentes desejem destacar-se do conjunto. Isso explica por que os impérios perduram, racham, reconfiguram-se e caem. Pensar o império não significa ressuscitá-lo dos mundos passados. Trata-se de considerar a multiplicidade de formas de exercício do poder sobre um dado espaço. Se pudermos considerar a história como algo diferente da inexorável transição da forma império para a forma Estado-nação, talvez possamos apreender o futuro de um ponto de vista mais vasto. E considerar outras formas de soberania que respondam melhor a um mundo caracterizado ao mesmo tempo pela desigualdade e pela diversidade.
Deduz-se do contraste que se estabelece, no texto, entre Estado-nação e império que este constitui a opção de organização política mais adequada para a superação da instabilidade desencadeada pelos problemas econômicos da contemporaneidade.