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Histórico e contextualização da taquigrafia
A palavra taquigrafia origina-se dos termos gregos tachys (rápido) e graphein (escrever), significando, portanto, escrita rápida. É considerada uma técnica profissional que exige de quem a executa determinadas condições físicas, mentais e intelectuais, além de muita prática para o seu perfeito domínio. Taquigrafar é escrever tão depressa quanto se fala, por meio de sinais (taquigramas) e abreviaturas.
Os hebreus atribuem a si a invenção da taquigrafia, alegando que, em citações feitas por Davi, no Salmo 44, há menção à pena de um escritor veloz. Os gregos, por sua vez, querem a primazia da invenção da taquigrafia. O filósofo e general ateniense Xenofonte, em 300 a.C., utilizava um sistema de escrita abreviada. Marcus Tullius Tiro, escravo liberto e secretário de Cícero, criou, no ano 70 a.C., as Notas Tironianas, provavelmente adaptadas de um sistema taquigráfico grego, e as utilizou no parlamento romano. Tiro deve ter concluído que, para uma verdadeira taquigrafia, havia necessidade de maior brevidade dos sinais para se alcançar maior velocidade. A ideia básica era, portanto, simplificar para dar velocidade. Importante, também, era a posterior legibilidade dos registros. Mas como coletar as oratórias de forma rápida e legível? Quais eram os instrumentos de trabalho dos taquígrafos antigos? Aqui convém lembrar que o lápis só apareceu após a descoberta das minas de grafite na Grã-Bretanha, na metade do século XVII. A pena de aço foi inventada na metade do século XVIII. E a caneta esferográfica foi inventada por Laszlo Joseph Biro somente em 1943. Além disso, na época dos romanos não existia o papel, que só seria fabricado séculos mais tarde.
Giulietti (1950) descreve que os romanos taquigrafavam em tabuletas e usavam, em vez de lápis, um ponteiro. A tabuleta era constituída de duas tábuas retangulares, de madeira ou de marfim, com uma pequena margem elevada ao longo dos quatro lados. A parte central, rebaixada em relação às margens, era recoberta com cera, sobre a qual se escrevia com um ponteiro de metal, osso ou marfim. O ponteiro tinha, de um lado, uma ponta aguda, com a qual se escrevia na cera, e, do outro, o formato de uma espátula, que era usada para se apagar o que estava escrito, alisando a cera. As tabuletas também podiam ser revestidas com cal, sobre a qual se escrevia com uma tinta negra. Várias tabuletas podiam ser unidas com cordazinhas, que serviam de dobradiças, formando, dessa forma, um livreto com certo número de páginas. Havia escravos que eram encarregados de entregar as tabuletas aos taquígrafos. No momento em que terminava de escrever em uma tabuleta, o taquígrafo já recebia outra tábula rasa, tabuleta com a cera alisada. A tabuleta escrita era levada, então, por um escravo e entregue aos librarii, que traduziam e recopiavam tudo por extenso. O texto assim traduzido era depois entregue aos oradores para uma revisão. Em seguida, era passado a limpo em pergaminhos ou papiros e publicado.
Com relação ao emprego da palavra “que”, assinale a opção correta.