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O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba de entregar ao público em geral dois documentos sobre o controle de capitais. Os textos não escondem o seu caráter de compromisso, diante das desavenças entre os representantes dos emergentes e dos desenvolvidos. Mas, como de hábito, os economistas do Fundo não conseguem esconder sua hesitação (temor?) em avaliar o papel e a responsabilidade dos mercados financeiros internacionalizados e mal regulados na alternância cíclica que afetou e vem afetando os emergentes submetidos aos humores e idiossincrasias dos capitais nervosos. A despeito da sucessão de crises financeiras e cambiais que se abateram nos últimos 30 anos sobre os ex-periféricos (agora emergentes), a turma do Fundo Monetário continua a acreditar na fábula dos mercados eficientes. Lá pelas tantas escrevem que “a integração financeira é fundamentalmente benéfica para os mercados emergentes, na medida em que elimina as restrições ao investimento produtivo, impulsiona a diversificação do risco, promove as decisões intertemporais e contribui para o desenvolvimento dos mercados financeiros”. Nada de novo: a controvérsia sobre a efetividade dos controles de capitais, tão acerba quanto monótona, termina indefectivelmente com a vitória da turma da bufunfa, aqueles que se refestelam na arbitragem com o diferencial de juros entre os países e engordam seus cabedais sob o patrocínio de capitais voláteis. Neste momento, as instituições financeiras salvas de suas próprias imprudências e abarrotadas de liquidez, ademais aborrecidas com o baixo rendimento dos investimentos domésticos, estão a fomentar novas bolhas mundo afora.
Os adjetivos “nervosos” (l.10) e “acerba” (l.22), utilizados, em sentido denotativo, para qualificar seres vivos animados, são empregados, no texto, em sentido conotativo, para qualificar, respectivamente, processo e evento.