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Não se deve atribuir a nenhum milagre o peso específico que o país ganhou — apesar de suas contradições sociais não resolvidas — a ponto de se estabelecer como a nona economia do mundo. Este salto deve-se, sobretudo, à formação, nas universidades, de novos quadros profissionais e técnicos, em número ainda insuficiente, é verdade, mas efetivo. Imagine-se quando chegarmos (se chegarmos) ao patamar ideal. Mas, para isso, é preciso investir sem vacilação na educação superior e, sobretudo, em seu segmento que se mostrou mais eficiente até aqui — o público. A atividade fundamental da universidade é o educar, em todos os sentidos. A educação é a base de uma sociedade pluralista, democrática, em que a cidadania não é um conceito garantido apenas formalmente na lei, mas é exercida plena e conscientemente por seus membros. Uma universidade distingue-se de qualquer outro tipo de instituição de ensino superior por ser o locus privilegiado em que os participantes do processo educacional interagem proficuamente, desenvolvendo e adquirindo conhecimentos e habilidades com o objetivo de entender e agir sobre a realidade que os cerca. Esse processo resulta não apenas na capacitação dos alunos técnica e formalmente para desempenhar suas atividades no seio da sociedade, mas deve proporcionar o desenvolvimento de uma visão global desta realidade. Agrega, assim, compreensão do mundo à sua volta e tolerância a visões distintas, características essenciais de uma cidadania integrada e ativamente democrática. Não há como contestar a necessidade urgente da expansão do sistema de ensino superior público no Brasil. Aumentar o número de matrículas no ensino superior público é questão emergencial e essencial para o desenvolvimento nacional. A atual estratégia nacional, baseada no aumento de vagas em escolas privadas, muitas delas com fins lucrativos, não é moralmente aceitável, nem economicamente viável. Além disso, tem-se demonstrado academicamente desastrosa. O aumento das matrículas nas universidades públicas precisa ser feito mediante projetos, elaborados pelas universidades, que levem em conta as especificidades de cada instituição e provendo-se as condições adequadas de infraestrutura e pessoal, especialmente docentes.
No que diz respeito à estrutura do texto e às classes de palavras nele empregadas, assinale a opção correta.