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Texto I
Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia
nas frondes da carnaúba;
Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do
Sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de
coqueiros.
Serenai verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa,
para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.
Onde vai a afouta jangada, que deixa rápida a costa cearense,
aberta ao fresco terral a grande vela?
Onde vai como branca alcíone buscando o rochedo pátrio nas
solidões do oceano?
Três entes respiram sobre o frágil lenho que vai singrando veloce,
mar em fora;
Um jovem guerreiro cuja tez branca não cora o sangue
americano; uma criança e um rafeiro que viram a luz no berço das
florestas, e brincam irmãos, filhos ambos da mesma terra
selvagem.
A lufada intermitente traz da praia um eco vibrante, que ressoa
entre o marulho das vagas:
— Iracema!...
O moço guerreiro, encostado ao mastro, leva os olhos presos na
sombra fugitiva da terra; a espaços o olhar empanado por tênue
lágrima cai sobre o jirau, onde folgam as duas inocentes
criaturas, companheiras de seu infortúnio.
Nesse momento o lábio arranca d'alma um agro sorriso.
Que deixara ele na terra do exílio?
Uma história que me contaram nas lindas várzeas onde nasci, à
calada da noite, quando a Lua passeava no céu argenteando os
campos, e a brisa rugitava nos palmares.
Refresca o vento.
O rulo das vagas precipita. O barco salta sobre as ondas;
desaparece no horizonte. Abre-se a imensidade dos mares; e a
borrasca enverga, como o condor, as foscas asas sobre o
abismo.
Deus te leve a salvo, brioso e altivo barco, por entre as vagas
revoltas, e te poje nalguma enseada amiga. Soprem para ti as
brandas auras; e para ti jaspeie a bonança mares de leite.
Enquanto vogas assim à discrição do vento, airoso barco, volva
às brancas areias a saudade, que te acompanha, mas não se
parte da terra onde revoa.
No trecho “Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do Sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros”, destaca-se uma figura de linguagem relacionada à associação entre mares e esmeralda. Trata-se de um exemplo de: