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O Colocador de Pronomes (Monteiro Lobato)
(...) Pouco durou a Agência, morta à míngua de clientes. Teimava o povo em permanecer empapado no chafurdeiro da corrupção... O rosário de insucessos, entretanto, em vez de desalentar exasperava o apóstolo. - Hei-de influir na minha época. Aos tarelos hei de vencer. Fogem-me à férula os maráus de pau e corda? Ir-lhes-ei empós, fila-los-eis pela gorja... Salta rumor! E foi-lhes “empós”, Andou pelas ruas examinando dísticos e tabuletas com vícios de língua. Descoberta a “asnidade”, ia ter com o proprietário, contra ele desfechando os melhores argumentos catequistas. Foi assim com o ferreiro da esquina, em cujo portão de tenda uma tabuleta - “Ferra-se cavalos” - escoicinhava a santa gramática. - Amigo, disse-lhe pachorrentamente Aldrovando, natural a mim me parece que erre, alarve que és. Se erram paredros, nesta época de ouro da corrupção... O ferreiro pôs de lado o malho e entreabriu a boca. - Mas da boa sombra do teu focinho espero, continuou o apóstolo, que ouvidos me darás. Naquela tábua um dislate existe que seriamente à língua lusa ofende. Venho pedir-te, em nome do asseio gramatical, que o expunjas. - ??? - Que reformes a tabuleta, digo. - Reformar a tabuleta? Uma tabuleta nova, com a licença paga? Estará acaso rachada? - Fisicamente, não. A racha é na sintaxe. Fogem ali os dizeres à sã gramaticalidade.
No enunciado “Foi assim com o ferreiro da esquina, em cujo portão de tenda uma tabuleta – ‘Ferra-se cavalos’ - escoicinhava a santa gramática” (linhas 16-18), a correção da personagem reside