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Canção Peregrina
Eu canto a dor
desde o exílio
tecendo um colar
muitas histórias
e diferentes etnias
II
em cada parto
e canção de partida,
à mãe terra peço refúgio
ao irmão sol, mais energia
e à irmã lua peço licença poética
para esquentar os tambores
e tecer um colar
com muitas histórias
e diferentes etnias
III
as pedras do meu colar
são história e memória
são fluxos do espírito
de montanhas e riachos
de lagos e cordilheiras
de irmãos e irmãs
nos desertos da cidade
ou no seio da floresta
IV
são as contas do meu colar
e as cores dos meus guias:
amarela
vermelha
branco
negro
de norte a sul
de leste a oeste
de ameríndia
ou de Latinoamérica
povos excluídos
V
eu tenho um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.
Se não me reconhecem, paciência.
Haveremos de continuar gritando
a angústia acumulada
há mais de 500 anos
VI
e se nos largarem ao vento?
Eu não temerei,
não temeremos,
pois antes do exílio
nosso irmão vento
conduz nossas asas
ao sagrado círculo
onde o amálgama do saber
de velhos e crianças
faz eco nos sonhos
dos excluídos
VII
eu tenho um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias
No trecho “e se nos largarem ao vento?” (linha 41), o pronome “nos” refere-se