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A casa que educa
Escrevo para vocês, crianças! O Amyr Klink é
um navegador. Navega num barco a vela. Vela é
uma armadilha para pegar o vento. O vento tem
força. Os barcos a vela navegam movidos pela
força do vento. O vento vem, bate nas velas e
empurra o barco. Mas o que fazer quando o
navegador quer ir para o sul e o vento sopra para
o norte? Peça a um professor para lhe explicar
isto. Antes das velas era preciso remar para o
barco navegar. Dava muita canseira. Mas aí um
dos nossos antepassados descobriu que o vento
faria o serviço dos remos e o homem poderia fazer
outras coisas…
Toda a nossa história passada, desde os
tempos das cavernas, é a história dos homens
aprendendo a fazer a natureza fazer o trabalho por
eles. Os moinhos de vento, os moinhos de água, o
arco e a flecha, as alavancas, os monjolos, o fogo…
O Amyr Klink disse que as crianças
aprendem “construindo” uma casa. Concordo.
Para aprender uma coisa é preciso fazê-la. As
crianças da ilha Faroe aprendiam o que
precisavam saber para viver construindo uma
casa! Mas não será muito difícil construir uma
casa? É difícil. Mas há um truque: a gente pode
“imaginar” a casa que a gente quer construir. Tudo
o que a gente faz começa na imaginação: um
quadro, um avião. Santos Dumont imaginou o 14-
Bis antes de construí-lo. Uma viagem, uma técnica
cirúrgica, um foguete, uma música, um livro… –
tudo começa na imaginação.
Quando vou fazer um papagaio, a primeira
coisa é imaginá-lo na minha cabeça: o seu tipo (há
papagaios do tamanho de uma casa!), as suas
cores, as ferramentas de que vou precisar e os
materiais que vou usar: tesoura, canivete, serra,
linha, cola, papel… O mesmo vale para uma casa. A
primeira coisa é imaginar a casa, como se estivesse
pronta. O Oscar Niemeyer, que planejou os
edifícios fantásticos de Brasília, a primeira coisa
que faz é “desenhar” no papel o edifício que ele vê
com os olhos da imaginação.
Imagine a casa que você gostaria de
construir. Terá um ou dois andares? As telhas
serão vermelhas? E as paredes? De que cor serão?
Terá uma chaminé para um fogão de lenha ou uma
lareira? Terá um jardim na frente? Para que lado
estará virada? Na sua cidade, qual é a direção do
sul? E do oeste? Onde nasce o sol? Onde se põe?
Mas o sol se põe? Esses são os pontos cardeais. É
importante saber onde estão os pontos cardeais
por causa da luz do sol. Aí é preciso desenhar essa
casa no papel, para que os pedreiros e carpinteiros
saibam como a imaginei. O desenho torna a
imaginação visível. Quem faz esse desenho é o
arquiteto. Aí será preciso fazer uma lista dos
materiais que você terá de usar para construir sua
casa. Começando com tijolo, cimento, areia, e
sem se esquecer dos pregos. Não se esqueça do
dinheiro, sem o qual não se compra nada. Seu pai
e sua mãe terão prazer em ajudá-lo.
Atente para o seguinte trecho e as afirmações a respeito da formação das palavras “aprendem” e “aprender”: “O Amyr Klink disse que as crianças aprendem “construindo” uma casa. Concordo. Para aprender uma coisa é preciso fazê-la”. (linhas 89-91)
I. Em “aprendem”, aprend- é prefixo, enquanto -em é sufixo.
II. Em “aprender”, aprend- é radical, -e é vogal temática, e -r, desinência número-pessoal.
III. Em “aprender”, aprend- é radical, -e é vogal temática, e -r, desinência modo-temporal.
IV. Em “aprender” e em “aprendem”, a junção de aprend- e -e forma o tema.
V. Em “aprendem”, aprend- é radical, e -e é vogal temática, e -m, desinência número-pessoal