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Superego
Comecei por matar o Super Homem. Atirei-o da janela do terceiro andar de modo que ele não pudesse reagir. Espatifou-se no gramado, quebrou um braço, arranhou o joelho e, ao ser levado ao hospital, morreu.
O Homem Aranha teve um fim parecido. Ao tentar equilibrar-se em uma de suas teias, presa no puxador do armário e na cabeceira da cama, desequilibrou-se e foi ter com a cara no chão, provocando sangramento na boca e um dente quebrado. Eu o matei na primeira sessão de tratamento dentário.
O Príncipe Submarino morreu afogado na piscina do condomínio quando o levei ao lado mais fundo e o fiz pular sob ameaças de chamá-lo de covarde caso não o fizesse. O Homem Invisível não conseguiu atravessar a parede do banheiro, quando o empurrei, e morreu ali mesmo, no vaso sanitário, sentado, sem entender o porquê de não ter sido capaz de acionar seus poderes. A Mulher Maravilha também não foi poupada, vindo a falecer após levar uma surra humilhante de minha mãe que não havia gostado de vê-la calçada com seus sapatos de festa. A surra a debilitou e eu acabei por matá-la sufocada em lágrimas.
Houve também um Deus a quem neguei comida, matando-o de fome, e em seguida meu pai, que se desintegrou diante dos meus olhos após ser pego em flagrante cometendo contradições entre o que dizia e o que fazia.
E assim fui matando todos, um por um, deixando seus corpos estendidos no passado, como um lembrete à minha memória de que heróis são melhores mortos.
Restou um.
Observe novamente o título do Texto 2: “Superego”. Identifique o processo de formação de palavras empregado nesse vocábulo.