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DESERTO
A porção de terra seca, sem vida e sem salvação, cresce no Nordeste
Numa das curvas que o São Francisco desenha ao atravessar os sertões onde Bahia e Pernambuco se encontram, cresce um deserto. A cada sopro do vento, que quase nunca cessa, suas dunas despejam areia e sufocam lentamente o rio. Ele se chama Surubabel e fica em Rodelas, Bahia. Chama a atenção porque se debruça sobre o São Francisco, a principal fonte de água do Semiárido. Mas não é um ponto isolado. Integra um mapa em expansão, o das terras que viraram desertos no Semiárido do Brasil. Um estudo inédito revela que elas somam 126.336 quilômetros quadrados – quase três vezes o tamanho do estado do Rio de janeiro ou a metade do de São Paulo. São desertos criados pelo homem. Terras estéreis, sem salvação.
O mapa mostra o que já é deserto. Não se trata de área em risco, mas de fato consumado. Desertos são terras mortas. Não ressuscitam, mas se expandem nutridos pela destruição que os gerou. “À medida que avançam, ameaçam a segurança hídrica, alimentar e energética do Semiárido mais povoado do mundo, onde vivem 28,6 milhões de pessoas (14,5% da população brasileira), alertou o principal autor do mapeamento, Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas, e integrante do grupo de especialistas em desertificação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU.
Em silêncio, por anos a desertificação tem seguido lenta e gradativa. Mas, quando se manifesta, é como a metástase de um tumor que já tomou boa parte do organismo e para a qual não há remédio. “O deserto é o câncer da terra. Ele tem de ser prevenido. É irreversível uma vez instalado. Nem com a chuva deixa de ser deserto”, salientou Barbosa. [...] A chuva semeia mágica no sertão. [...] Mas, no deserto, a chuva não traz nada, nem mesmo a esperança. “Pode desabar o céu, chover o que for, que não há resposta. Nada brota [...]”, afirmou Barbosa.
A seca recorde dos últimos sete anos, a pior em 100 anos de registro, foi a pá de cal num processo de degradação de séculos. Em 1901, na nota de introdução de Os sertões, Euclides da Cunha disse que sua obra havia perdido a atualidade. Estava enganado. Quase 120 anos depois, o ciclo de secas e destruição ainda aprisiona o Semiárido. E o homem é o responsável. [...] “A transformação do Semiárido em deserto não precisou de mudança climática. Resultou de séculos de exploração predatória associada à miséria, destacou Marcelo Tabarelli, professor da UFPE.
(Por Ana Lúcia Azevedo, ÉPOCA, 30/04/18)
Avalie os tópicos abaixo transcritos, propostos como paráfrases do conteúdo do texto-base: I- O texto trata de um fenômeno que tem se revelado preocupante na região Nordeste – a expansão de desertos – e ilustra o caso do Surubabel, localizado em Rodela, Bahia, que desperta mais a atenção por se espalhar sobre o Rio São Francisco, que é a principal fonte de água do Semiárido.
II- Para ratificar a gravidade do problema, faz-se uso, no texto, do recurso da metáfora, em que se compara o modo como a desertificação se alastra ao desenvolvimento de um câncer, que, se descoberto tardiamente, quando a metástase já se espalhou, não é reversível, mesmo que venha a chuva.
III- Conforme o texto, o deserto de Surubabel não é um caso isolado; além disso, o processo de desertificação é antigo, sendo resultante dos longos períodos de seca vivenciados na região nordeste, como revela a frase: “Quase 120 anos depois (da publicação de Os sertões) o ciclo de secas e destruição ainda aprisiona o Semiárido.
Pode-se afirmar que há falha de informatividade, ou seja, incompletude de informação em relação ao texto-base, no que está expresso apenas em