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Após a leitura do trecho da reportagem que segue, a respeito da intervenção do Exército no Rio de Janeiro, responda às questões 9 e 10.
A ÚLTIMA CHANCE
[...] O plano que resultou na vitória contra a criminalidade em Nova York e Medellin, como ocorre agora no Brasil, foi fruto de uma decisão política. A diferença é que havia um plano.
O flagrante caráter de improviso que marcou a medida do governo federal de decretar a intervenção no Rio suscitou justificada desconfiança da parte de especialistas. Segundo o governo, o objetivo da iniciativa é fazer tudo o que todo mundo já sabe que já deveria ter sido feito há muito tempo: melhorar o trabalho das polícias, que precisam ser afastadas da praga da corrupção, equipá-las e elevar seu padrão técnico – considerando que polícia, no Rio ou no resto do mundo, não sabe investigar praticamente nada. Disso até as pedras da Gávea sabem. O plano para atingir essas metas é o que resta desconhecido – até mesmo pelo interventor, o general Walter Netto. Apesar do currículo respeitável e do conhecimento do assunto, o militar foi pego de calças curtas pela nomeação, a ponto de ter de avisar que levará alguns dias para tornar público seu plano de ação.
Até agora, tudo que se anunciou foram duas medidas: o bloqueio dos acessos ao estado para impedir o fluxo de armas e drogas e o uso das tropas do Exército para executar uma varredura na Penitenciária Milton Dias Moreira, palco de rebelião no dia 18. A segunda iniciativa tem o mérito de embutir um acerto e apontar para uma necessidade vital. É ponto pacífico entre os especialistas ouvidos por Veja que nenhuma medida de rigor policial forjada por estrategistas militares terá sucesso se o sistema carcerário não conseguir absorver os criminosos egressos da intervenção. [...] Ocorre que esvaziar as cadeias, especialmente de presos por crimes leves, exigiria mudanças que fogem à competência do Exército, como a alteração do Código Penal e a discussão do tema pelo Supremo Tribunal Federal. A partir daí a conclusão inescapável é que, como afirma o general Eduardo Villas Bôas, não há possibilidade de êxito da intervenção sem a união das forças envolvidas e o engajamento dos três poderes no projeto[...] Outras populações viveram situações piores e hoje usufruem o direito de caminhar sem medo nas ruas de sua cidade. Isso não é querer demais nem é querer o impossível” (VJ, 28/02/18)
Analise as proposições a seguir, que abordam a relação entre o modo de organização dos períodos e o sentido do texto: I- O período constituído pelas três orações: “melhorar o trabalho das polícias” (L. 7), “equipá-las” (L. 8) e “elevar seu padrão técnico” (L. 8) tem função apositiva; logo, poderia ser introduzido, sem prejuízo de sentido, pela partícula explicativa, ou seja, obtendo-se: “...o objetivo da iniciativa é fazer tudo o que todo mundo já sabe que já deveria ter sido feito há muito tempo. Ou seja, melhorar o trabalho das polícias, equipá-las e elevar seu padrão técnico.
II- No trecho “O plano para atingir essas metas é o que resta desconhecido – até mesmo pelo interventor, o general Walter Netto.” (Ls. 9, 10), apresenta-se uma ressalva em relação ao envolvimento do general. Uma paráfrase possível seria: “O plano para atingir essas metas é o que resta desconhecido – nem mesmo o interventor, o general Walter Netto, conhece”.
III- No período “É ponto pacífico entre os especialistas ouvidos por Veja que nenhuma medida de rigor policial forjada por estrategistas militares terá sucesso se o sistema carcerário não conseguir absorver os criminosos egressos da intervenção.” (Ls. 15, 16, 17), a conjunção “se”, pode ser substituída, sem causar prejuízo de sentido, por apesar de, obtendo-se: “[...] nenhuma medida de rigor policial forjada por estrategistas militares terá sucesso apesar de o sistema carcerário não conseguir absorver os criminosos egressos da intervenção”.
IV- Uma paráfrase possível para o período “A conclusão inescapável é que, como afirma o general Eduardo Villas Bôas, não há possibilidade de êxito da intervenção sem a união das forças envolvidas e o engajamento dos três poderes no projeto” é: “se não houver a união das forças envolvidas e o engajamento dos três poderes no projeto, não há possibilidade de êxito da intervenção, assegura o general Eduardo Villas Bôas”.
V- O período “Isso não é querer demais nem é querer o impossível”, o elo entre as orações se dá por meio de uma partícula negativa, “o nem”, de modo que o período pode ser parafraseado, sem alteração semântica por: “Isso não é querer demais; no entanto, é impossível.”
Feita a análise das paráfrases acima, verifica-se que duas não têm correspondência com o conteúdo do texto, saber: