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O texto que segue, um recorte da matéria jornalística” exibida em Veja, 01/06/16, é objeto de estudo das questões 4 e 5: É O DE SEMPRE
Os traficantes que atuam na região carioca do Porto Maravilha, cartão-postal olímpico, agora achacam empresários da área para não incomodá-los. LESLIE LEITÃO
1 DEPOIS DE DÉCADAS de abandono, a
2 região portuária carioca ressurgiu como um belo
3 cartão-postal debruçado sobre as águas da Baía de
4 Guanabara. Ganhou inclusive nome novo, Porto
5 Maravilha, uma área concebida para ombrear com
6 outras do gênero, como o revitalizado Puerto
7 Madero, em Bueno Aires. A urbanização daquele
8 pedaço do Centro do Rio faz parte do projeto
9 olímpico. Ali permanecerá fincada, de 5 a 21 de
10 agosto, a pira dos Jogos de 2016. O que não estava
11 previsto nas pranchetas era o recrudescimento do
12 crime a poucos meses do evento que iluminará a
13 cidade em escala global.
14 Emoldurado por duas favelas nas quais os
15 traficantes vinham atuando de forma mais discreta,
16 em razão da presença de Unidades de Polícia
17 Pacificadora (UPPs), o Porto Maravilha passou a ser
18 cenário de quadrilhas que voltaram a agir como
19 donas do lugar, literalmente. O clima entre os empresários que
20 trabalham na região é de pavor. VEJA apurou que as gangues
21 que dominam o Complexo do Caju e o Morro da Providência,
22 vizinhos ao porto, estão exigindo das empresas uma
23 “semanada” para que seus funcionários possam continuar a ir
24 e vir sem ser incômodos. O achaque da bandidagem sai para
25 cada uma delas até 5000 reais por semana. Ninguém registrou
26 o caso em delegacia pelo motivo de sempre: medo.
27 “Costumamos mandar para essas favelas cestas básicas,
28 chocolate na Páscoa, presente no Dia das Crianças, mas nunca
29 os traficantes tinham cobrado dinheiro para que pudéssemos
30 trabalhar em paz”, disse a VEJA, na condição de anonimato, o
31 diretor de uma das construtoras que operam nos arredores do
32 Porto Maravilha.
33 [...]
A respeito das relações semânticas expressas no texto podemos afirmar que: I - O sentido inferido da relação entre o enunciado que faz menção ao pagamento de uma SEMANADA e o outro, iniciado pela locução conjuntiva PARA QUE, relativo à permissão de trânsito livre por parte de funcionários nos morros é de CAUSA.
II - A estrutura “Ninguém registrou o caso em delegacia porque tem medo” substitui “Ninguém registrou o caso em delegacia pelo motivo de sempre: medo”, (linhas 25 e 26) embora provoque alteração no efeito de sentido.
III - Há uma relação de coerência entre a expressão que intitula o texto e o tema desenvolvido, porém não é uma escolha adequada para um texto da modalidade escrita formal.
Está(ão) CORRETA(S) apenas: