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Texto 01 – A Borboleta Morena
Todas as noites, ela, a borboleta morena, pousava na moldura do meu espelho. Ficava ali, de asas coladas, como duas mãos postas numa oração silenciosa. E, manhã cedo, quando ia tirar a barba, ela permanecia até o fim, para logo em seguida alçar voo, pela janela aberta, à procura do espaço que se derramava de luz. Então eu ficava com saudade da borboleta morena.
Nos dias que se seguiram, parece que se firmava um acordo entre nós dois. Não incomodávamos um ao outro. A não ser um possível, quase evidente, namoro de olhos quietos. À primeira vez, eu pensei que ela fosse fugir de mim, espantada com a minha cara de meio-sono. No entanto, ela também estava despertando e, na certeza, murmurávamos coisas interiores, restos de noite, começo de novas horas, eu remoendo o dia de trabalho, o passo nas ruas e ela o espaço adejante que a chamava para as flores do jardim.
Quando fugia pela janela, pensava que não mais a visse de volta, para aquela comunhão no espelho. Mas, retornava sempre como um cartão de visita, recado de uma outra vida bem suave e leve. Pensei mesmo em perguntar-lhe se não queria fazer uma permuta. Eu voaria pela janela para a liberdade sem rastros e ela ficaria presa no meu escritório, espremida entre a papelada norotizante. A borboleta morena se fazia de desentendida. E eu compreendia a sua ditosa fuga. [...]
MARACAJÁ, Robério. Cerca de Varas, Campina Grande: EDUEPB/Latus, 2014, p. 39.
Do enunciado “Pensei mesmo em perguntar-lhe se não queria fazer uma permuta”, pode-se afirmar: I- O termo “lhe” exerce a função sintática de objeto indireto.
II- O termo “se” apresenta uma relação de condição.
III- A expressão “queria fazer” pode ser substituída por “faria” sem alterar o sentido do enunciado.
IV- O artigo “uma” não determina a palavra “permuta”.
Analise as proposições e marque a(as) alternativa adequada. Está(ão) corretas, apenas.