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Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.
Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar, Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha: Não há mal que lhe não venha.
Quis voar a uma alta torre, Mas achou-se desasado; E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha: Não há mal que lhe não venha.
CAMÕES. Luís Vaz de. Lírica: redondilhas e sonetos. In: Seleção e notas. MOISÉS, Massaud. Rio de Janeiro: Ediouro/São Paulo: Publifolha, 1997, p.66.
O poema de Camões é construído por meio do recurso da comparação entre um elemento concreto e um abstrato. Os elementos comparados pelo autor são, respectivamente,