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O risco de demência
Anos atrás, os poucos que chegavam aos 60 anos eram chamados de sexagenários. Hoje, quando morre alguém com 70, dizemos que morreu moço.
Uma pesquisa recente mostrou que, ao completar 50 anos, pessoas que não fumam, bebem com moderação, praticam atividade física com regularidade, adotam dietas com mais vegetais e menos gordura animal e mantêm o peso corpóreo na faixa saudável terão expectativa de viver em média mais 38 anos se forem homens, e mais 43 no caso das mulheres.
O preço a pagar pelo privilégio da longevidade, no entanto, extrapola a questão da Previdência Social, uma vez que a prevalência de enfermidades crônico-degenerativas aumenta com a idade. Entre nós, o custo é mais alto, porque envelhecemos mal – cerca de 90% dos brasileiros chegam aos 60 anos com pelo menos uma doença crônica.
Nesse universo, as demências ocupam lugar de destaque. Nem tanto pela prevalência – hipertensão e diabetes são muito mais prevalentes –, mas pelas consequências devastadoras, pessoais, familiares e sociais.
Diversos pesquisadores avaliaram a influência do estilo de vida na instalação dos quadros demenciais que ocorrem ocasionalmente em indivíduos sem antecedentes familiares. Aprendemos que existem vários fatores capazes de aumentar esse risco – fumo, sedentarismo, dieta pobre em vegetais e rica em gordura animal, abuso de álcool, falta de estímulos cognitivos, distúrbios do sono, dificuldade de engajamento social, traumatismos cranianos e até a poluição.
Por outro lado, os avanços da genética levaram à identificação de mais de 250 mil variantes de genes associadas ao risco de demências. A presença delas explica o número de casos concentrados em determinadas famílias. Para os portadores desses genes, como para filhos, netos e sobrinhos de pessoas com Alzheimer e outras degenerações cognitivas, é fundamental saber se a tendência genética pode ser contrabalançada por meio de mudanças no estilo de vida.
O fatalismo dos que dizem “não vou escapar, meus pais tiveram Alzheimer, minha avó também” deve ser substituído pela disciplina de praticar atividade física, adotar dietas com mais vegetais e menos gordura animal, não fumar de jeito nenhum, beber pouco e ler muito. (...)
As aspas, no último parágrafo, foram utilizadas com o intuito de