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Pavanas
Dizem que na iminência de uma catástrofe (terremoto, furacão, erupção de vulcão) os bichos silenciam, pressentindo o que vem. Como interpretar não o silêncio, mas o desaparecimento gradual de insetos voadores observado em todo o mundo? Prenúncio de que tragédia se aproxima?
Os cientistas que notaram o fenômeno não sabem explicá-lo. Se tivessem prestado atenção no estranho comportamento das abelhas, ultimamente, não se surpreenderiam com o atual sumiço dos insetos.
Não sei se você já leu. Começou nos Estados Unidos, onde as abelhas estavam saindo das suas colmeias e não voltando. Nos Estados Unidos poderia haver uma explicação lógica para o fato: as abelhas estariam simplesmente reagindo à eleição do Trump e emigrando. Mas o fenômeno se repete no resto do mundo.
Ninguém sabe para onde vão as abelhas que não voltam. Não morrem, o que poderia ser atribuído aos agrotóxicos. Desaparecem. Se veículos espaciais estão vindo buscá-las (talvez os mesmos que as trouxeram), ainda não se viu nenhum.
As abelhas têm um apurado senso de orientação e poder de comunicação. Transmitem ao resto da colmeia as exatas coordenadas de um campo florido descoberto, através de uma dança.
Apicultores tinham notado uma mudança nos movimentos das danças ultimamente, e não dado a devida importância à novidade. Talvez as abelhas já estivessem dançando pavanas para um mundo em agonia há algum tempo.
A verdade é que os insetos parecem saber algo que nós não sabemos.
Luís Fernando Veríssimo. (Disponível em: http://cultura.estadao.com.br/. Acesso em: 25/11/2017. Adaptado.)
O trecho Se veículos espaciais estão vindo buscá-las (talvez os mesmos que as trouxeram), ainda não se viu nenhum é introduzido pela conjunção se, que, neste contexto, apresenta o valor semântico de