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O texto a seguir é referência para as questões 29 a 32.
O Tempo Livre e o Novo Feitiço do Capital
Nathan Caixeta
A “queda do zap” na última segunda-feira (04/10) atinou com desaviso a inquietante e cada vez mais esquecida forma de viver, forçando o distanciamento compulsório das redes sociais e das inúmeras formas de conexão virtual que consomem a atenção das pessoas. Estima-se que as ações do Facebook tenham caído em quase 5%, enquanto os operadores da empresa se esforçavam para corrigir a falha técnica. Contudo, a paralisação de parte do mundo virtual em questão de horas forneceu um interessante experimento social, levando as pessoas a perceberem a existência do próprio real desnudo da celeridade virtual que encobre, seja para arrancar os cabelos ao efetuarem pagamentos virtuais não compensados, ou para solucionarem a questão do que fazer com o próprio tempo-livre, uma vez que sua instância de captura imediata fixou-se em um limbo que retrocedeu as eras: do tempo das relações virtuais para a época já imperceptível das relações pessoais. Embora tenha sido apenas um “susto” passageiro, o fenômeno abre espaço para observar as conexões entre a valorização do capital cujos desdobramentos comerciais, produtivos e financeiros são parciais, ou integralmente conectados ao mundo virtual e a disposição, captura e transformação do tempo-livre dos indivíduos em valor de troca. Conforme insiste Eduardo Mariutti, professor da Unicamp, a esfera do virtual não se opõe à realidade, mas se expressa pelo transbordamento do “possível”, isto é, pelo conjunto de possibilidades acessíveis à imaginação humana. O virtual transforma os fragmentos criados pela imaginação humana em um universo construído, potencialmente ilimitado, mas restrito ao conjunto de percepções humanas em dado momento do tempo.
Considerando as seguintes sequências extraídas do texto: “forçando o distanciamento compulsório”; “a existência do próprio real desnudo da celeridade virtual”; e “uma vez que sua instância de captura imediata”, assinale a alternativa cujos termos podem substituir, respectivamente, os vocábulos grifados das expressões citadas, na acepção que lhes confere o texto.