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O CACHORRO-QUENTE ATRAVÉS DA HISTÓRIA
Clarice Lispector
O popular cachorro-quente está tão intimamente ligado à cozinha norte-americana, que é quase universalmente considerado prato nativo daquele país. No entanto, há milhares de anos o homem já saboreava o ancestral de todos os cachorros-quentes que hoje correm mundo.
Primitivamente, a salsicha não era levada ao fogo e, sem nenhum tempero, carecia de sabor especial e característico de sua versão atual.
Seu aparecimento é registrado em Roma. Lá recebeu o nome de salsus (vocábulo latino que significa salgado) e o imperador Constantino, o Grande, o incluía entre os pratos de luxo, considerados excessivamente bons para o homem comum.
Na Idade Média acrescentaram-lhe especiarias e obtiveram comidas gostosíssimas. Nestas, sim, já se reconhece um parente do popular sanduíche de nossos dias.
Os americanos rechearam-no de Viena, razão por que inicialmente o chamaram Wiener. Claro está, deram-lhe cor local: levaram a salsicha ao fogo, trancafiaram-na dentro de um pão e, cobrindo-a com a maior variedade de condimentos picantes rebatizaram-na: hot-dog.
LISPECTOR, Clarice. Só para mulheres: conselhos, receitas e segredos. [organização de Aparecida Maria Nunes]. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.
As palavras destacadas em “O cachorro-quente através do tempo”; “e, sem nenhum tempero”, correspondem, respectivamente, a