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Punir quem matou orelha é civilização, mas linchar é endossar a barbárie
Alerta de spoiler: dá nojo o que fizeram com o Orelha. Mas dá calafrio ver gente pedindo “olho por olho, dente por dente”.
A inominável tortura do Orelha, um doguinho que era mascote da comunidade da praia Brava, em Florianópolis, é um daqueles casos que colocam à prova nossa humanidade por duas razões. Primeiro, a violência brutal cometida por adolescentes com o esforço de adultos influentes para acobertar o crime. E, segundo, a quantidade de pessoas nas redes pedindo sequestro, tortura e morte dos investigados.
Indignação é necessária. Justiça, indispensável. Mas justiça, não justiçamento – a lógica miliciana em que o devido processo legal vira detalhe e a lei do mais forte assume o comando. Punir quem torturou o Orelha (e quem tentou protegê-los com ameaça, influência ou carteira da OAB) é obrigação do Estado. Transformar a barbárie em espetáculo de linchamento só nos torna parecidos com aquilo que dizemos condenar.
Punir, sim. Linchar, não. Porque, quando isso acontece, o Estado de direito se torna o alvo. Leia a íntegra do texto na minha coluna no UOL, link na bio.
Com base no texto 2 e na variedade padrão da língua escrita, assinale a alternativa correta.