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O que te distancia de um sonho? Quando esse desejo é qual profissional deseja se tornar, os obstáculos óbvios estão no acesso a uma educação de qualidade. A sala de aula que frequenta é praticamente decisiva para ter chances de chegar exatamente onde queria estar. No Brasil, as desigualdades entre o ensino privado e público são realidades já marteladas nas cabeças de pais que se esforçam em pagar mensalidades caras com o pensamento no futuro dos filhos. Quem não tem essa alternativa sabe que a distância percorrida será bem maior.
O acesso à educação consegue sintetizar os fatores que influenciam na desigualdade da sociedade brasileira e ajuda a entender as dificuldades de mobilidade social. Com as notas médias alcançadas por alunos das escolas de Belo Horizonte no Enem de 2017, conseguimos mapear os bairros da cidade onde os alunos terão mais chances de ingressar no ensino superior. O resultado reflete a desigualdade de renda. Bairros periféricos e mais pobres têm notas bem menores do que regiões de classe média, o que ajuda a perpetuar esse cenário.
Um dos esforços para reduzir essa distância foi a lei de cotas, que começou a vigorar em 2013 e criou um percentual mínimo em universidades públicas destinadas para alunos que também fizeram o ensino médio em rede pública. Esse percentual cresceu gradativamente até chegar a 50% em 2016. Porém, é um erro pensar que essa medida sozinha irá criar uma igualdade de condições.
Quando olhamos o desempenho das escolas no Enem, vemos porque a rede privada consegue ter uma representação tão maior de alunos nas universidades públicas.
Além dos resultados obtidos pelos alunos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que também diferencia as escolas públicas e privadas é o valor do investimento realizado por aluno matriculado. Na rede pública estadual, um estudante do ensino médio custa oito vezes menos do que um jovem matriculado em escolas particulares de elite de Belo Horizonte. Especialistas destacam que se houvesse pelo menos uma distância menor nessa diferença, os resultados obtidos na aprendizagem seriam menos desiguais.
Um dos entraves para possibilitar que alunos de escolas públicas tenham oportunidades menos desiguais para entrar no ensino superior é o déficit de aprendizagem acumulado ao longo da educação básica. Em Minas Gerais, apenas 39% dos alunos de escolas estaduais e municipais chegam ao Ensino Médio com proficiência mínima em português. Já em matemática, o resultado é ainda pior, apenas 20% estão com nível de aprendizado adequado. Os dados são de 2017, último resultado da Prova Brasil, que serve de base para elaboração do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Qual fragmento apresenta problemas de concordância verbal?