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Poema para os itens de 11 a 15.
Autopsicografia
Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Na segunda estrofe, alternam-se dois sujeitos: o poeta, representado pela terceira pessoa do singular; e suas dores, representadas pela terceira pessoa do plural.