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Como a polícia nos EUA aposta em assistentes sociais contra violência
Nos Estados Unidos, policiais e profissionais de saúde trabalham juntos em um número cada vez maior de cidades
Um homem aparentemente idoso, apoiado em uma bengala, gritava por socorro na esquina da avenida Amsterdam com a rua 104, em Manhattan. Ele parecia congelado, incapaz de se mover.
Em poucos segundos, chegou o socorro e, acompanhando a cena, observei que os paramédicos que saltaram da ambulância reconheceram o morador com distúrbios mentais que volta e meia é recolhido e levado ao hospital para, semanas depois, repetir a rotina.
Foi a primeira vez, mas não a última, em que ouvi os gritos daquele vizinho no verão de 2020. O que acontece com ele é comum em grande parte das cidades dos Estados Unidos. E é para lidar com esses problemas de saúde mental e com o desespero por falta de moradia que cresce cada vez mais a presença de assistentes sociais e psicólogos dentro dos departamentos de polícia.
Equipes móveis formadas por um profissional de saúde mental e um enfermeiro hoje percorrem cidades em mais de 34 Estados americanos reduzindo a pressão sobre os policiais que, nas últimas décadas, foram obrigados a assumir a responsabilidade pelo atendimento de chamados para os quais não são treinados.
Ele trabalha em iniciativas que reorientam para serviços de assistência médica e social as chamadas de emergência que chegam às delegacias de polícia. Ele também treina promotores públicos para que possam identificar os casos de detidos que precisam de cuidados e não de cadeia.
Nova York está apenas engatinhando nessa área. Tem um projeto-piloto que começou no Harlem, em julho, chamado “B-Heard”. Em português seria “Ser Ouvido”. Ele reorienta as chamadas que chegam ao número de emergência, o 911, que todo mundo no país aprende a discar, desde criança, em caso de problema.
Os funcionários que atendem essas chamadas precisam decidir, rapidamente, se enviam policiais ou bombeiros para o local. Agora, nesse projeto-piloto, eles podem acionar equipes móveis de assistência que sempre incluem alguém que se envolveu com drogas ou viveu em situação de rua e, por isso mesmo, é capaz de entender e dialogar mais facilmente com a pessoa que está sendo atendida.
Se a situação mudar, se tornar violenta, a equipe se afasta e chama reforço policial.
Em Bloomington, Indiana, o sistema é diferente. Em 2019, a cidade de 80 mil habitantes contratou a primeira assistente social, Melissa Stone. Ela agora tem duas outras colegas e conta que elas nunca saem sozinhas.
O primeiro atendimento é sempre feito junto com a polícia. Nas visitas seguintes, para dar continuidade ao atendimento, elas não precisam dos policiais.
Elas se encarregam de encaminhar a pessoa para um tratamento, um abrigo, uma residência permanente. O objetivo é resolver o problema para a pessoa não precisar chamar o serviço de socorro novamente.
No 8.o parágrafo, no trecho “Se a situação mudar, se tornar violenta, a equipe se afasta e chama reforço policial”, as ocorrências de “se” possuem funções diferentes.