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O racismo ambiental é um termo utilizado para se referir ao processo de discriminação que populações de periferias ou compostas de minorias étnicas sofrem em razão da degradação ambiental. A expressão denuncia que a distribuição dos impactos ambientais não se dá de forma igual entre a população, sendo a parcela marginalizada e historicamente invisibilizada a mais afetada pela poluição e pela degradação ambiental.
“Há um senso comum e até um mito criado em torno da questão ambiental de que ela nos atinge a todos igualmente”, conta Marcos Bernardino de Carvalho, professor de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP), ao explicar a origem do termo.
Segundo Carvalho, a história do termo está intrinsecamente ligada ao movimento dos direitos civis estadunidenses, que ocorreu entre as décadas de 50 e 60. A criação do termo foi atribuída ao ativista afro-americano Benjamin Franklin Chavis Jr., que chegou a atuar como secretário de Martin Luther King Jr., um dos líderes do movimento dos direitos civis. “Ele se destacou por fazer denúncia sobre a questão de que a população mais vulnerabilizada, especificamente a população negra, é que era a população mais vitimada pela degradação ambiental e que essa degradação a tinha, digamos assim, como um alvo preferencial”, explica Carvalho.
Atualmente, a falta de investimento em regiões sem saneamento básico, o despejo de resíduos nocivos à saúde em regiões de vulnerabilidade social, a grilagem e a exploração de terras pertencentes a povos locais são exemplos da manifestação do racismo ambiental.
No texto, a palavra “vitimada” (linha 24) apresenta sentido equivalente a prejudicada.