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Reconhecemos que nem todos serão pesquisadores. Em nossa profissão, não são muitos os que se interessam pela pesquisa. Na verdade, alguns têm verdadeira aversão a ela. Os pesquisadores, às vezes, são vistos como pessoas estranhas, preocupadas com problemas insignificantes e desligadas do mundo real (embora saibamos que esse não é o seu caso). Em um livro informativo, e também divertido, sobre redação de artigos científicos, Day (1983) conta a história de dois homens passeando em um balão de ar quente que se depararam com algumas nuvens e perderam o rumo. Quando finalmente se aproximaram do chão, não reconheceram a região nem faziam a mínima ideia de onde tinham ido parar. Na verdade, eles estavam sobrevoando um de nossos mais famosos institutos de pesquisa. De repente, avistaram um homem, caminhando pela estrada, e o chamaram: “Ei, senhor, onde estamos?”. O homem olhou para cima, avaliou a situação e, depois de alguns momentos de reflexão, respondeu: “Vocês estão em um balão”. Um dos balonistas virou-se para o outro e disse: “Aposto que aquele homem é um pesquisador”. O outro perguntou: “O que o faz pensar assim?”. O primeiro então explicou: “A resposta dele é perfeitamente exata, mas totalmente inútil” (p. 152). Brincadeiras à parte, não se pode negar a importância das pesquisas para todas as profissões. Afinal, uma das distinções básicas entre disciplinas ou profissões e “ofício” é que este último lida apenas com o modo de fazer as coisas, enquanto as duas primeiras estão relacionadas não apenas com o modo, mas também com o motivo de algo dever ser feito de determinado modo (e, inclusive, por que deve ser feito). No entanto, em disciplinas ou profissões, embora a maioria das pessoas “re-conheça” a importância da pesquisa, grande parte delas não lê artigos científicos. Essa situação não é exclusiva da nossa área. Há informações de que apenas 1% dos químicos leem publicações científicas da própria área, de que menos de 7% dos psicólogos leem revistas acadêmicas de psicologia etc. A grande questão é: por que isso acontece? Acreditamos que a maioria dos profissionais não lê resultados de pesquisas porque considera isso desnecessário. A pesquisa não é prática o suficiente ou não diz respeito ao trabalho deles. Outra razão, dada pelos próprios profissionais do movimento, é que eles não entendem os artigos. A linguagem é muito técnica; a terminologia, pouco familiar e confusa. Essa reclamação é válida, mas poderíamos argumentar que, se os programas de preparação profissional tivessem orientação mais científica, o problema seria diminuído. Entretanto, a compreensão da literatura científica é extremamente difícil para quem não é pesquisador. J. R. Thomas e J. K. Nelson. Métodos de pesquisa em atividade física. 3.ª ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.
As palavras “científica”, “válida”, “psicólogos” e “diminuído” são acentuadas segundo a mesma regra de acentuação gráfica.