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A pandemia causada pelo coronavírus, que começou em 2020, afetou diversos setores da sociedade em todo o mundo, com efeitos devastadores nas áreas da saúde e da economia ao redor do planeta, e o mercado imobiliário também foi atingido, mas, ao contrário do que ocorreu com outros segmentos, o setor de compra e venda de imóveis residenciais foi aquecido com as mudanças causadas pela crise sanitária decorrente da covid-19. No ano de 2020, os valores financiados apresentaram um aumento de 57,5% em comparação com o ano anterior, de acordo com levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Alguns dos fatores que podem explicar esse crescimento estão relacionados ao acesso facilitado ao crédito e aos juros baixos praticados durante o período, no Brasil, ou seja, ficou mais fácil adquirir imóveis, ao mesmo tempo em que o custo para a compra de novos bens estava mais baixo. Além disso, a pandemia modificou alguns critérios estabelecidos pelos compradores. O isolamento domiciliar e a adoção do home office para o trabalho e os estudos alteraram o modo de utilização das residências. Segundo a Pesquisa da Influência do Coronavírus no Mercado Imobiliário Brasileiro, realizada pela DataZAP+, 62% dos entrevistados apontaram como relevante ter um imóvel com ambientes bem divididos e 45% disseram que era importante ou muito importante morar em uma casa. Assim, mesmo com a pandemia, o mercado imobiliário voltado para as negociações de imóveis residenciais apresentou aquecimento e, além disso, o perfil de compra sofreu alterações. Após o primeiro ano da crise sanitária, o mercado adaptou-se, de modo geral, às novas demandas sociais e econômicas. Nesse sentido, o segmento de imóveis também precisou se adequar ao novo cenário que se formou. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) realizou estudos que apontam o aumento de 27% das negociações de imóveis somente no primeiro trimestre de 2021. Ao mesmo tempo, o levantamento indica que os estoques caíram 14,8%, tendo atingido o menor patamar desde janeiro de 2016. Existe uma grande procura por imóveis, mas o mercado ainda consegue atender a todos os compradores. Este fato pode colaborar para o aumento dos preços e, consequentemente, para a valorização imobiliária. Em 2017, o déficit de imóveis era de 7,8 milhões de unidades, segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). Segundo Luiz Antonio França, presidente da Abrainc, o alto déficit habitacional no Brasil é um dos incentivadores do mercado. “Tem tanta gente que precisa comprar imóvel que, mesmo com a crise, o mercado segue. O financiamento está mais barato e mais longo no mercado brasileiro e as pessoas acabam comprando o imóvel que caiba no bolso delas e vai ter um ativo com tendência de valorização”. A associação realizou estudos que apontam que, após um período de instabilidade no mercado de imóveis, entre 2017 e 2019, o segmento apresenta boas perspectivas. De acordo com França: “No atual contexto de juros baixos, o investimento em imóvel fica ainda mais atrativo e vantajoso, principalmente quando é comparado com o de renda fixa e considerando que os ativos reais tendem a se valorizar com os juros baixos”. Além disso, existem boas projeções para o mercado imobiliário, no geral. A pesquisa Raio-X do FipeZAP, realizada também no 1.º trimestre de 2021, apontou que 46% dos respondentes tinham a intenção de adquirir imóveis nos três meses seguintes. O número encontrado fica muito acima da média histórica (37%) e bem próximo do valor mais alto já registrado até o momento (48%).
As palavras “área”, “saúde” e “imobiliário” são acentuadas graficamente de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.