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A pandemia de covid-19 terá um impacto de longo prazo na saúde mental das populações, advertem especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS). O alerta foi feito em julho de 2021, em Atenas, na abertura de um fórum europeu sobre o impacto do coronavírus e entra em concordância com estudos científicos que mostram aumento das taxas de distúrbios psiquiátricos, como depressão e ansiedade, ao longo da crise sanitária. Especialistas da área têm ressaltado a necessidade da adoção urgente de medidas governamentais para enfrentar o problema.
A OMS considera que não é apenas o contágio, ou o medo dele, que tem afetado a saúde mental das pessoas. “O estresse causado pelas desigualdades socioeconômicas e pelos efeitos da quarentena, do confinamento, do fechamento de escolas e dos locais de trabalho tem consequências enormes”, afirma o diretor da agência na Europa, Hans Kluge. “A pandemia abalou o mundo. Mais de 4 milhões de vidas foram perdidas em todo o planeta, rendas foram destruídas, famílias e comunidades se separaram, empresas quebraram”, complementa.
Dados sobre depressão e ansiedade da população em diversos países já indicam os impactos da pandemia. Em dezembro, uma pesquisa feita pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos com oitocentas mil pessoas mostrou que 42% delas tiveram sintomas dos dois distúrbios em 2020 — um aumento de mais de 200% em relação ao ano anterior. Um estudo da Universidade do estado do Rio de Janeiro (UERJ) publicado, em agosto último, no jornal The Lancet, indicou aumento de 90% nos casos de depressão no Brasil, durante a pandemia. A análise revelou, ainda, que o número de pessoas com crise de ansiedade e estresse agudo praticamente dobrou entre março e abril de 2020, no início da crise sanitária.
Os especialistas da OMS e autoridades europeias também destacaram, no evento, que o “impacto de longo prazo e de grande alcance” na saúde mental exige a adoção imediata de medidas. “Estamos falando de um componente-chave da nossa saúde, que requer ação dos governos agora. Precisamos falar abertamente sobre o estigma que acompanha a saúde mental”, ressalta o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis. Para o vice-presidente da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, “a pandemia exacerbou o enorme desafio da saúde mental”. “Não há desculpa para adiar esse debate”, defende.
A OMS também recomendou que os países fortaleçam os serviços de saúde mental, garantindo a melhora do acesso à atenção por meio de tecnologia digital, o aumento dos serviços de apoio psicológico em escolas, universidades e locais de trabalho e também para pessoas que trabalham na linha de frente contra a covid-19. “A saúde mental e o bem-estar devem ser percebidos como direitos humanos fundamentais”, ressalta Kluge.
Assinale a alternativa em que é apresentado o sinônimo da palavra “exacerbou” (linha 44).