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A promoção da saúde emerge, no contexto da evolução do conceito de saúde-doença e evolui no movimento da medicina social e da comunitária e no movimento da prevenção das doenças crônico-degenerativas, denominado segunda revolução epidemiológica, como um novo paradigma de conotação holística.
Esse termo foi utilizado pela primeira vez por Henry Sigerist, em 1945, ao definir as quatro grandes tarefas para a medicina: a promoção da saúde; a prevenção da doença; o restabelecimento do doente; e a reabilitação. Esse autor defendia uma ação integrada de todos os setores organizados da sociedade, por considerar que bom nível de vida, boas condições de trabalho, educação, cultura física, descanso e recreação eram as formas para promover a saúde.
Durante a década de 1970, os sistemas de saúde de diversos países, notadamente daqueles do chamado primeiro mundo, foram bastante questionados. No Canadá, devido à influência inglesa, foram consagrados os princípios da universalidade da assistência médica, que, embora tendo obtido avanço social, sofreu muitas críticas. Em 1974, Marc Lalonde, respeitado epidemiólogo e ministro da saúde canadense, ao analisar os resultados obtidos, no seu país, com a universalização da assistência médica, no que ficou conhecido como Relatório Lalonde — consagrado em uma publicação do governo canadense como um marco na discussão conceitual da promoção da saúde —, concluiu que o declínio dos indicadores de mortalidade infantil ou a esperança de vida tinham outras determinações, visto que esses indicadores persistiam conforme a inserção social dos indivíduos, especialmente entre os menos favorecidos, independentemente do acesso universal aos serviços de saúde.
Esse documento é considerado por diferentes pensadores contemporâneos o primeiro relatório governamental, no mundo ocidental, a reconhecer como errônea a ênfase em assistência médica sob o ponto de vista biomédico, ao mostrar que é necessário olhar além do sistema tradicional de saúde (tratamento dos doentes) se o objetivo é melhorar a saúde do público.
Ademais, é a primeira declaração teórica oriunda de reflexões a respeito do impacto das doenças (principalmente as crônico-degenerativas), do crescimento dos gastos com a organização dos serviços médicos e da dimensão do processo saúde-doença.
No relatório, Lalonde propôs um modelo que articulasse quatro dimensões explicativas interligadas para o processo saúde-doença: biologia humana; estilos de vida; meio ambiente (físico, social e psicológico); e organização dos serviços de saúde.
Essa concepção de promoção da saúde estava claramente entendida como medidas preventivas, ou seja, mudança de estilos de vida individuais e comportamentos e, apesar dessa visão preventiva, significou um avanço na compreensão e incorporação de políticas de saúde e na adoção de ações intersetoriais independentes do sistema de cuidados de saúde.
Ele considera quatro fatores que, interligados, são determinantes da doença: estilo de vida; características biofísicas; poluição e agravantes ambientais; e serviços de saúde inadequados e incompetentes.
A expressão “como um novo paradigma de conotação holística” (linha 3) completa o sentido da forma “emerge” (linha 1), o que é evidenciado pelo emprego da vírgula após essa forma.