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O mercado imobiliário no Brasil está aquecido apesar da pandemia de covid-19.
De acordo com levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, foi registrado, em Mato Grosso do Sul, crescimento nos financiamentos imobiliários do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. Os números indicam que, mesmo durante o período de pandemia, a comercialização de unidades cresceu 39%, de março a maio de 2020 em relação ao ano anterior.
O mercado imobiliário na cidade de São Paulo confirmou, também, em setembro de 2020, a trajetória de recuperação do setor, com expansão dos lançamentos e vendas na comparação anual, de acordo com pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi), que monitora imóveis residenciais novos. Com a alta na demanda, os preços dos imóveis também têm subido, com a retirada de descontos.
Segundo o presidente do Secovi, Basílio Jafet, a recuperação está sendo impulsionada pela queda nas taxas de juros, que torna as parcelas do financiamento mais razoáveis para famílias que procuram moradia, além de incentivar a migração de investidores que já não ganham tanto como antes em aplicações na renda fixa. Outro ponto é o surgimento de novas modalidades de empréstimos, com novos indexadores. “O mercado de crédito imobiliário baixou as taxas, amadureceu e diversificou as opções para os clientes”, diz Jafet. “Para as incorporadoras, isso é ótimo”, conclui.
A pesquisadora de construção civil da Fundação Getúlio Vargas, Ana Maria Castelo, afirma que a taxa de juros não será capaz de sustentar sozinha o aquecimento do setor por muito tempo. Segundo ela, isso depende da recuperação da economia como um todo. “Há condições hoje que favorecem o investimento em imóveis, mas sem uma melhora consistente da economia, com volta do emprego e da renda, não tem como o ciclo de alta se sustentar no médio e longo prazo”, afirma. “Mesmo com juros baixos, é preciso que as pessoas tenham emprego para pagar a parcela”.
O diretor financeiro e de relações com investidores da incorporadora Eztec, Emílio Fugazza, diz que a manutenção dos negócios em alta depende das reformas administrativa e tributária para reequilibrar as contas do governo federal. “Isso vai permitir que os juros básicos sigam baixos por muito tempo”, acrescenta.
A Eztec anunciou, há alguns dias, a meta de lançamentos de projetos avaliados na ordem de R$ 4 bilhões a R$ 4,5 bilhões para o biênio de 2020 e 2021, avanço de 60% na comparação com o lançado pela companhia no biênio anterior, de 2018 a 2019.
As principais incorporadoras do País já veem um movimento de alta de preço dos imóveis, em virtude do aumento nos custos de aquisição de terrenos e de materiais de construção.
O fundador e presidente do conselho de administração da MRV, Rubens Menin, disse que a companhia praticou descontos nas vendas no começo da pandemia, mas já vê uma reversão do quadro em razão do custo maior dos insumos e da demanda aquecida.
O emprego da vírgula após “(Secovi)” (linha 8) justifica-se por separar oração com função adjetiva de sentido explicativo.