///
A geografia da produção global apresenta novas determinações e novos desafios ao desenvolvimento, em que diferentes países ou territórios conseguem, por distintos motivos, aderir ao novo padrão da produção global e apresentam, assim, resultados positivos de crescimento industrial e econômico e de desenvolvimento socioeducacional, o que leva a uma mudança estrutural.
Inserem-se nesses grupos a China e os países e territórios asiáticos de primeira geração — chamados outrora de tigres asiáticos —, que incluem Coreia do Sul, Cingapura, Hong Kong (região administrativa especial da República Popular da China) e o território de Taiwan, e os países de segunda geração — denominados de novos tigres asiáticos, termo cunhado na década de 1990 —, que incluem Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã.
Embora tenham passado por forte crise econômica e recessão em 1997, esses países se recuperaram e apresentam, atualmente, bons desempenhos na área econômica.
A China aparece como um gigante na produção global e vem atualizando a sua matriz de produção, já sendo líder em vários setores industriais, ranqueada como a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos da América, e posicionada, como centro dinamizador do crescimento econômico asiático, entre as mais relevantes em termos de comércio exterior. Esse país apresenta uma forma de desenvolvimento singular que combina socialismo com economia de mercado e que permite vislumbrar uma alternativa possível ao modelo norte-americano.
Outro exemplo de país asiático que apresenta grande êxito é a Coreia do Sul, onde se observa a emergência de grandes e famosas empresas dirigidas por famílias, conhecidas por chaebols, entre as quais empresas líderes dos setores automobilístico, como Hyundai e Kia, e eletrônico, como Samsung e LG. Essas empresas utilizam-se de várias estratégias voltadas para a concorrência global, entre elas a da imitação, e têm papel fundamental no desenvolvimento tecnológico e na expansão de atividades de pesquisa, além de serem responsáveis pelo crescimento das indústrias têxteis, madeireiras e de cimento no país.
Entretanto, o desenvolvimento sul-coreano está ligado às formas de desenvolvimento a convite ou associado — com acesso privilegiado aos mercados e aos capitais das grandes potências, obtido em troca da submissão a sua política externa e a sua estratégia militar global —, que ocorrem em contextos geopolíticos específicos. Do ponto de vista produtivo, o comando da produção global permanece nos países mais desenvolvidos, porém vão surgindo novos centros. Nesse sentido, há o desenvolvimento do centro em um país antes considerado periferia, o que demonstra como uma estratégia de desenvolvimento com participação ativa do Estado pode promover uma mudança estrutural.
De acordo com o texto, inclui-se entre os tigres asiáticos de primeira onda