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No Brasil, no âmbito da segurança alimentar e nutricional, crianças, idosos e mulheres demandam atenção particular, em especial as mulheres trabalhadoras rurais e camponesas, mais vulneráveis à pobreza e com acesso mais difícil às políticas públicas.
Pesquisas informam que a agricultura familiar brasileira produz grande percentagem dos alimentos básicos que chegam à mesa da população, e essa produção certamente não existiria sem o trabalho das mulheres.
Historicamente, o trabalho da mulher camponesa não tem visibilidade e evidencia assimetrias importantes, quando comparado ao trabalho masculino, as quais reservam aos homens o reconhecimento público do trabalho produtivo, mantendo obscurecido o trabalho das mulheres, que se circunscreve aos domínios privados.
Mesmo quando realiza atividades voltadas para o fim produtivo da agricultura, a agricultora familiar é vista como auxiliar e, normalmente, recebe menor remuneração (ou nenhuma remuneração) por seu trabalho. As atividades agrícolas por ela exercidas, como plantio e colheita da produção para o consumo da família, ordenha de vacas, produção de queijo e pão e, também, práticas orientadas para a pequena escala de comercialização de produtos agrícolas, são vistas como uma extensão intrínseca de suas atribuições de mãe e esposa. Ademais, muitas dessas atividades não se enquadram nas categorias do conceito de trabalho aceitas e reconhecidas, formalmente, pela sociedade, o que faz com que a jornada cotidiana das mulheres no meio rural seja subestimada pela sociedade.
A mulher camponesa é, em geral, a provedora de alimentos da família porque os cultiva diretamente nas lavouras ou nos quintais, mas também porque é dela a responsabilidade pelas tarefas domésticas e o cuidado com as crianças. Portanto as mulheres sustentam a produção agroecológica familiar e garantem a segurança alimentar e nutricional dos brasileiros, e é preciso reconhecer o protagonismo feminino na agricultura familiar e camponesa.
Em algumas regiões, como é o caso do Nordeste, a participação das mulheres na produção rural é bastante significativa. A organização e produção de alimentos saudáveis por mulheres camponesas tem permitido intensificar qualitativamente a luta pela soberania e pela segurança alimentar e nutricional, por meio de diversificada e saudável produção de alimentos. Entretanto, a promoção da alimentação adequada e saudável requer ações educativas associadas à prevenção e ao enfrentamento dos males à saúde provocados pela má alimentação, por meio da atenção nutricional no Sistema Único de Saúde (SUS) e da regulamentação da publicidade de alimentos.
Sem prejuízo para a correção gramatical, o termo “auxiliar” (linha 18) pode ser substituído por titular.