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O principal suspeito pelos ataques a tiros em duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, que deixaram ao menos 49 mortos em 15 de março de 2019, planejou meticulosamente um atentado voltado para a era da Internet. Ele transmitiu o massacre ao vivo pelo Facebook e publicou um longo manifesto repleto de piadas internas voltadas para os que estão familiarizados com o universo obscuro da Internet.
Assim, o australiano de 28 anos de idade Brenton Tarrant, que foi acusado formalmente de homicídio, se transformou no mais recente exemplo de um ataque a tiros ligado a comunidades on-line que propagam extremismo e violência.
Na mesma semana, o massacre em uma escola pública em Suzano, na Grande São Paulo, também chamou atenção por sua ligação com o mundo virtual, mais especificamente para o universo da chamada dark web – a Internet obscura, ou seja, áreas da rede intencionalmente mantidas escondidas, não rastreáveis e que não podem ser acessadas por um navegador comum.
O jornal Folha de S. Paulo, que vem acompanhando a reação ao ataque a tiros em uma escola em Suzano-SP – cometido por dois ex-alunos da escola, de 17 e 25 anos de idade, e que deixou oito mortos –, informou que a comemoração do massacre começou minutos depois de ele ser noticiado nos chamados chans, fóruns que permitem postagens anônimas e são acessíveis apenas com um navegador que mascara os dados do usuário.
Antes do crime, o mais jovem dos agressores, Guilherme Taucci Monteiro, publicou dezenas de fotos em seu perfil no Facebook, nas quais aparece armado, usando uma máscara de caveira – a mesma com a qual foi encontrado morto – e fazendo sinais ofensivos. O perfil do jovem no Facebook foi removido, mas as imagens seguiram circulando na Internet.
A proliferação de ideais extremistas não é algo novo, seja no mundo real ou virtual, afirma Daniel Byman, pesquisador do Brookings Institution, ressaltando que as pessoas fazem coisas no mundo virtual que talvez hesitassem em fazer na vida real – de atos inofensivos até o compartilhamento e encorajamento de visões extremistas e de violência. “A Internet permite que se seja mais ousado”, afirma o pesquisador.
Byman afirma que o fato de o ataque ter sido transmitido ao vivo no Facebook chama atenção para como a cultura da Internet permeia hoje o mundo real. Hoje em dia é comum transmitir acontecimentos cotidianos ao vivo, incluindo-se confrontos com policiais, destaca o pesquisador.
Facebook, Youtube, Twitter e outras plataformas que permitem que pessoas façam o upload de seus próprios conteúdos foram duramente criticadas após os ataques na Nova Zelândia, por permitirem a difusão de postagens e vídeos violentos e com discurso de ódio.
Horas depois do ataque, as plataformas acabaram removendo as imagens divulgadas por Tarrant. Também foram retiradas do ar as contas do australiano nas redes sociais. No entanto, críticos afirmam que as empresas demoraram demais para agir e argumentam que a postagem do vídeo do ataque deveria ter sido impedida desde o início.
Estaria mantida a correção gramatical do texto caso fosse inserida uma vírgula imediatamente após o termo “dia” (linha 23).