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A falta de interação social na espécie humana causa uma carência imensurável e faz com que surjam indivíduos incompletos, intolerantes e incapazes de racionalizar e entender como lidar com o outro. Tudo isso cria um acúmulo de necessidades que acaba justificando o grande aumento do número de animais de estimação nas últimas décadas. Com a diminuição da formação de novas famílias, os animais de estimação acabaram surgindo como opção para canalizar essa necessidade afetiva e se transformaram no alvo de emoção e carência. As relações afetivas humanas apresentam desafios e, para terem sucesso, precisam de equilíbrio, compreensão e cooperação. Quando os humanos, em seu estado de carência maior, optam por uma relação afetiva unilateral com seus animais de estimação, criam uma expectativa fantasiosa de preenchimento e amor que tem consequências graves. Os animais domésticos, como os cães, por exemplo, apesar de terem uma enorme habilidade de adaptação, não são humanos e naturalmente não têm esses sintomas e traços de fragilidade emocional. Na espécie humana, a fraqueza emocional desencadeia compaixão, necessidade de acolhimento e conforto. Para os cães, fraqueza representa riscos que podem custar a sobrevivência geral do grupo. Os animais de estimação precisam de humanos fortes, seguros, capazes de tomar decisões, das mais simples às mais desafiadoras. Precisam de regras, de disciplina, de alguém que lhes mostre como o universo funciona e como lidar com estímulos, distrações e elementos do mundo urbano. Esses animais não devem ser considerados salvadores, nem usados como válvula de escape ou justificativa para o seu dono não conviver com outros humanos, pelo contrário. O convívio com animais de estimação deve ser uma oportunidade de as pessoas mostrarem seu potencial humano, suas habilidades de liderança e de viverem em um mundo mais harmônico.
Na linha 2, a forma verbal “surjam” está flexionada na terceira pessoa do plural porque concorda com o núcleo do sujeito da oração, o termo “indivíduos”.