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Amanhã você vai sair — ou voltar — às ruas e fazer a revolução.
Sem medo, sem máscara, vai dizer “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” a todos os conhecidos e desconhecidos que passarem por você. No elevador, no estacionamento, no ônibus, na fila da padaria. E se ninguém responder, não importa. Você vai manifestar um sorriso largo como uma avenida e seguir em frente.
Porque é para frente que se anda.
No trânsito, vai dar passagem a todos os outros carros assim que vir uma seta piscar, indiferente às buzinas nervosas de quem vier atrás. E quando alguém fizer a mesma gentileza por você, não vai esquecer de acenar em puro e simples agradecimento.
Nas redes sociais, antes de curtir e compartilhar qualquer postagem sobre qualquer assunto, você vai pensar. E vai pensar de novo, até se certificar de que realmente acredita naquilo.
E quando alguém próximo a você esbravejar palavras de ódio e apoio à violência — seja da parte de quem se manifesta depredando, seja do lado de quem defende agredindo — você não vai discutir. Vai respirar fundo, pensar consigo “let it be” e seguir em frente. Porque há vários lados nessa história, mas nenhum deles é “o adversário”. E você está em todos eles.
Você é o mínimo de inteligência que resiste em cada homem e cada mulher que ainda respiram neste mundo, brutalizados e amortecidos pela doença da normalidade que torna tudo banal — as mortes, os estupros, a violência doméstica, a roubalheira nos cargos públicos, o corrupto e o corruptor, o ódio e a maldade.
Amanhã você vai sair às ruas e fazer a revolução. E se ninguém mais aderir, não importa. Você vai sorrir e seguir em frente.
Porque é para frente que a gente segue.
E lá na frente tem uma revolução à espera. Mas ela só começa depois de uma outra, aquela que acontece “aqui dentro”.
André J. Gomes. Quer fazer uma revolução. Faça uma gentileza. Internet: <www.revistapazes.com.br> (com adaptações).
Apesar de estar escrito em prosa, o texto pode ser considerado como um poema, pois aborda de maneira poética as questões cotidianas.