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O raciocínio que postula a prioridade do crescimento econômico como resposta aos desafios do desenvolvimento é falacioso, pois, a cada dia, aumentam as dúvidas sobre um modelo de crescimento que beneficia poucos em detrimento de muitos. Em todas as sociedades, as pessoas se tornam angustiadas, frustradas e revoltadas diante da falta de perspectivas e da incapacidade dos governos de atender às suas perspectivas de bem-estar. O Estado perdeu o monopólio de poder coercitivo para grupos armados envolvidos no tráfico de drogas, de armas ou de jogos ilegais. Entre os defeitos sociais desses processos desestruturadores, destaca-se a percepção de uma situação de caos, de insegurança, de perda de identidade e, assim, o enfraquecimento da solidariedade social. Infere-se, portanto, que o conceito de sustentabilidade não pode ser reduzido ao “esverdeamento”, ao ecologicamente correto e, tampouco, ao economicamente viável (para quem?). Há uma dimensão social e ética que deve ser priorizada, assegurando-se os direitos humanos e a justiça social para todos. De pouco adiantará o crescimento econômico em setores que consomem matéria-prima e fontes energéticas não renováveis, que poluem o meio ambiente e deixam resíduos tóxicos de difícil e custoso tratamento. A indagação sobre “como romper o círculo vicioso” nos leva à dimensão política, pouco explorada, dos processos de transformação. Desigualdades geram conflitos e violência – sintomas de sociedades insustentáveis – para conquistar ou distribuir melhor o acesso às posições de mando, ou seja, instaurar um regime mais democrático e solidário.
No trecho “nos leva à dimensão política” (linha 24), a forma pronominal “nos” poderia estar empregada após a forma verbal – leva-nos à dimensão política –, sem prejuízo da correção gramatical do texto.