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Num certo sentido, gramática é algo estático – é um
conjunto de descrições a respeito de uma língua. É nesse
sentido que a palavra é usada quando dizemos ‘a gramática
do Celso Cunha’, ‘a gramática do Rocha Lima’. Cada uma
dessas gramáticas tem suas propriedades específicas. A de
Rocha Lima é tida em geral como a mais normativa das duas.
A de Celso Cunha já é não normativa, mas compartilha com a
de Rocha Lima o caráter taxionômico, porque arrola fatos e
regras de estrutura linguística. Gramática nesse sentido é um
compêndio com descrições de uma língua.
Num outro sentido, gramática tem sentido dinâmico e
corresponde a um construto mental, que cada membro da
espécie humana desenvolve, desde que exposto a dados de
uma língua. Quando se começa a refletir sobre fatos de
língua, fica claro que os seres humanos nascem com uma
estrutura mental organizada de tal modo que torna a
aquisição de língua algo inevitável, inexorável. Podemos
chamar essa estrutura inata de gramática universal,
faculdade de linguagem etc. É em virtude dessa faculdade de
linguagem que todo membro da espécie humana é capaz de
adquirir uma língua, sem qualquer ensino, bastando para
tanto a experiência do contato com a língua nos primeiros
anos de vida.
É fundamental que o professor de língua perceba essa
diferença e trabalhe em sala de aula com gramática nessa
última acepção – como algo dinâmico.
Lucia Lobato. O que o professor da educação básica deve saber sobre
linguística. In: Pilati et al (org.). Linguística e ensino de línguas.
Brasília: Editora UnB, 2015 (com adaptações).
No que se refere aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto acima, assim como às funções da linguagem e à tipologia textual, julgue os itens subsequentes.
No texto, o sentido da palavra “todo” em “todo membro da espécie humana” (linha 20) equivale a cada.