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O anúncio publicado na conta do Twitter da NASA na segunda-feira passada, 28, alertava para “o maior mistério já revelado sobre Marte”. Com pompa e retumbância, associadas a fotos, anunciava-se que “Marte não é o planeta seco que pensávamos”, pois, “em certas circunstâncias”, existe água em estado líquido por lá. A própria história de mais de quarenta anos da busca da agência espacial americana por algo que se aproxime de vida no planeta vermelho tratou de, por assim dizer, pôr água na fervura do anúncio. O episódio lembrou uma conhecida fábula de Esopo (do século VI a.C.). Nela, um pastor vivia gritando “É o lobo, é o lobo”, só para rir dos que acreditavam na mentira e vinham em seu socorro. Um dia, o animal apareceu de fato, ele se desesperou, mas ninguém lhe deu ouvidos. Nos últimos tempos, a NASA se acostumou a alardear “É a água, é a água”, e quando sua existência no território marciano pôde, enfim, ser verificada, a novidade soou como algo velho. Não é que o mundo tenha reagido com indiferença à notícia, ou que ela seja falsa. Ao contrário. Mas é preciso que se analise com cautela, sem euforia, todo o fuzuê. Jum Green, diretor de ciência planetária da NASA, deu a pista para isso. Foi ele quem usou a expressão “em certas circunstâncias”, citada anteriormente, na hora de se referir à presença de água no solo árido.[...] por ora, basta sublinhar que a existência de H2O em Marte é sazonal (uma dádiva do verão), e a água, bem, a “água” é, na verdade, salmoura. Enfim, um conselho como corolário da semana: se for a Marte, não a beba.
As aspas presentes nesse fragmento desempenham um importante papel discursivo. Sua presença é justificada por: