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O poder simbólico da religião é tratado como um veículo de poder e de política, com as devidas representações do poder simbólico, como as alocuções, as orações e outros símbolos pertinentes à religião. Nesta perspectiva, apresenta uma espécie de dialética que engendra tal poder, mostrando uma tênue passagem do espaço sagrado, o templo, ao campo religioso, num processo que compõe o que chamamos de lócus numinoso, um espaço imaginário de relações de força que integra o indivíduo com seu espaço físico, transformando as relações e o meio social em que vive a partir da sua relação com o sagrado (PEREIRA, 2008, p. 83-84). Enfim, a religião é analisada como um instrumento capaz de engendrar um campo simbólico de relações de forças, inclusive de força política, que se configura em diversos tipos de representações. É nisso que o poder simbólico da religião também se assemelha a outras modalidades de poder, especialmente à do poder político. Alguns, como, por exemplo, George Balandier (1969, p. 101), chegam a vê-lo com um aspecto do poder político. Se o sagrado, segundo Balandier, “é uma das dimensões do campo político”, o político também é uma das dimensões do campo sagrado. Dessa forma, “a religião pode ser instrumento de poder” (Balandier, 1969, p. 109) e garantir, com isso, a legitimidade do poder político, ao passo que a ação política também pode servir de retaguarda para garantir a legitimidade religiosa. Analise as afirmativas a seguir:
I. Dessa maneira, a religião é um dos meios utilizados no quadro político e estratégias políticas são também empregadas pela religião para exercer seu domínio. Isso porque a religião, pelo fato de ser um elemento constitutivo da cultura brasileira, tem esse poder de persuasão.
II. Esse princípio nos faz lembrar as concepções de Maquiavel (2001, p. 58), de que a religião é algo “útil para comandar os exércitos, confortar o povo, manter as pessoas de bem e fazer corar os maus” (In: Azevedo, 1981, p. 88).
III. O mesmo ocorre com os representantes religiosos nas cerimônias civis: a interação simbólica entre essas duas categorias de poder reforça o poder simbólico de ambas (BALANDIER, 1969, p. 109), estreitamente vinculadas, e que seus respectivos dinamismos se acham em correspondência. Dessa maneira, o poder da religião, classificado como poder simbólico, interage com outras formas de poder (BOURDIEU, 1998, p. 15).
Estão corretas as afirmativas: