///
Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada.
A poetisa Cecília Meireles publicou o poema “Motivo”, em 1939, no auge do Modernismo. No poema, Cecília Meireles adotou de forma predominante uma função de linguagem, buscando imprimir no texto as marcas de sua atitude pessoal: emoções, opiniões, sentimentos. Em geral, essa função possui alguns traços estruturais, como uso da 1ª pessoa do singular e de interjeições e exclamações, marcas de pessoalidade e/ou tom confessional. Nesse caso, qual é a função de linguagem adotada?