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Fernão de Oliveira, embora não tenha escrito sistematicamente sobre ortografia em sua gramática, deixou claro seu posicionamento ao adotar explicitamente um princípio geral que ele encontrou em Quintiliano (livro I, 7)56, qual seja, as palavras devem ser escritas como pronunciadas (p. 65)57. Assim, ao comentar como se deveria grafar as palavras de origem grega, dizia ele no capítulo IX (p. 50): Tiramos de entre as nossas letras o k porque, sem dúvida, ele entre nós
não faz nada, nem eu vi nunca em escritura de Portugal esta letra k
escrita. Ora, pois as dicções gregas, quando vêm ter entre nós, tão
longe de sua terra, já não lhes lembra a sua ortografia, e nós as fazemos
conformar com a melodia das nossas vozes, e com as nossas letras lhes
podemos servir. Portanto, k, nem ph, nem ps, nunca as ouvimos na
nossa linguagem, nem as havemos mister.
Nota 57: Entenda-se bem: este enunciado não propõe que se escreva como se fala (ou seja, não está propondo uma escrita fonética que, considerando a enorme diversidade de pronúncias de qualquer língua, tornaria a escrita ilegível para o conjunto dos falantes). O que ele estipula é, nos termos de hoje, uma escrita com transparência fonológica, isto é, sem letras “ociosas” (para usar a expressão de João de Barros) na representação dos fonemas [...]. Vale repetir o exemplo do mesmo João de Barros: por que escrever orthographia, se bastaria escrever ortografia?
No fragmento de texto, Carlos Alberto Faraco expõe parte da visão de Fernão de Oliveira, primeiro a publicar, em 1536, uma gramática do que hoje se chama língua portuguesa ou português, a respeito de questões ortográficas. Ao final, menciona João de Barros, autor da segunda gramática da língua que foi se desgarrando do galego, em 1540. Nesse sentido, de acordo com o que se lê acima, pode-se afirmar que