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Leia os seguintes excertos e, em seguida, responda à questão: Excerto 1: A famosa "redação" — que aparece sempre como um texto de caráter dissertativo — parece ter assumido a condição de gênero escolar único, pois pouca coisa diferente se escreve na escola, sobretudo nas séries do Ensino Médio. Não admira, pois, que, mais tarde, escrever qualquer outro gênero de texto se torne uma tarefa praticamente inviável. (ANTUNES, 2003, p. 63)
Excerto 2: No entanto, parece-me fundamental chamar a atenção para a forma como, neste livro, se concebem a oralidade e suas relações com a escrita. Ou seja, interessa-me frisar que, embora cada uma tenha as suas especificidades, não existem diferenças essenciais entre a oralidade e a escrita nem, muito menos, grandes oposições. Uma e outra servem à interação verbal, sob a forma de diferentes gêneros textuais, na diversidade dialetal e de registro que qualquer uso da linguagem implica. Assim, não tem sentido a idéia de uma fala apenas como lugar da espontaneidade, do relaxamento, da falta de planejamento e até do descuido em relação às normas da língua-padrão nem, por outro lado, a idéia de uma escrita uniforme, invariável, formal e correta, em qualquer circunstância. Tanto a fala quanto a escrita podem variar, podem estar mais planejadas ou menos planejadas, podem estar mais, ou menos, "cuidadas" em relação à norma-padrão, podem ser mais ou menos formais, pois ambas são igualmente dependentes de seus contextos de uso. (ANTUNES, 2003, p. 99-100)
Excerto 3: É isso que falta nos comandos paragramaticais: dão regras categóricas como se elas valessem para todos os falantes, todos os contextos, todas as atividades, todos os gêneros. (BAGNO, 2000, p. 290).
Excerto 4: Certamente, Bakhtin nunca teria classificado o livro didático entre os gêneros secundários e sim como um conjunto de gêneros. Aspecto importante é a vasta produção de gêneros tipicamente da esfera do discurso pedagógico, tal como a explicação textual, os exercícios escolares, a redação, instruções para produção textual e muitos outros que se acham no LD. O espaço pedagógico tem muitos outros gêneros que circulam nessa área e não migram para o LD, tais como as conferências, os relatórios, as atas de reuniões etc. Tudo indica, pois, que o LD pode ser tratado como um suporte com características muito especiais. (MARCUSCHI, 2008, p. 179)
A partir dos excertos e de sua leitura de Irandé Antunes (2003), Marcos Bagno (2000) e Luiz A. Marcuschi (2008), é possível dizer que os autores tecem algumas críticas. Quais das seguintes críticas são feitas pelos autores?
I. Marcuschi (2008) e Antunes (2003) fazem uma crítica ao ensino de língua portuguesa nas escolas, dizendo que, embora haja avanços, ele ainda vem se ancorando no ensino de regras gramaticais puras e descontextualizadas, como se elas pudessem prescrever aquilo que o interlocutor gostaria de comunicar. Por isso, os autores defendem práticas contextualizadas de ensino, por exemplo, a partir do uso de gêneros textuais escritos ou orais para que o aprendiz possa compreender a língua como um conjunto de atividades humanas e como formas de ação.
II. Bagno (2000) faz uma crítica ao ensino de língua portuguesa dizendo que a escola se beneficiaria com o ensino a partir de gêneros textuais, contrapondo um tipo de instrução prescritiva de regras gramaticais que tem tentado preservar uma concepção de língua em particular, sem muita consideração ao todo linguístico.
III. Antunes (2003) critica a escolha dos gêneros adotados nas escolas. Ela diz que há preferência por gêneros orais de linguagem informal, enquanto a preferência por gêneros escritos seria os de linguagem formal, criando-se assim uma dicotomia entre oralidade e escrita que, segundo a autora, não tem razão de ser. Para a autora, tanto os textos orais como os escritos podem ser mais ou menos formais, mais ou menos planejados, mais ou menos espontâneos, etc. Em seu livro, ela ainda defende maior uso da oralidade, dizendo ser pouco explorada no ensino do português. Crítica semelhante é feita em Marcuschi (2008).
IV. Antunes (2003) faz uma crítica ao que Marcuschi (2008) chama de gêneros da esfera do discurso pedagógico. Para a autora, assim como para Marcuschi, a opção pela redação como única prática escolar limita o repertório textual dos aprendizes uma vez que a produção textual, oral e escrita se situa no contexto da vida cotidiana de forma muito mais complexa. Dessa forma, a redação escolar não seria a única forma de tratar a realidade linguística.
Estão corretas as alternativas: