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A língua não pode servir para a exclusão social
Dizer em voz alta que as formas não normatizadas também estão corretas é impedir que o conhecimento da norma tradicional seja usado como um instrumento de perseguição, de discriminação, de humilhação do outro, ou como uma espécie de saber esotérico, reservado para alguns iluminados de inteligência superior...
Porque o verdadeiro problema, a verdadeira questão social implicada nisso tudo não tem a ver com o fato de se usar a regra A ou a regra B. Tem a ver, isso sim, com o uso social perverso que se faz do domínio desse suposto saber: “Eu sei usar a passiva sintética, eu sei usar o acento indicador de crase, eu sei usar os pronomes oblíquos, mas você não... Por isso eu sou mais inteligente, estou mais preparado para exercer o comando, pertenço a uma casta superior”.
É esse o discurso, muitas vezes não explicitado, dissimulado, oculto na atitude de quem usa o seu conhecimento da gramática normativa como um instrumento de distinção, como se saber a regência “correta” do verbo implicar implicasse em algum tipo de vantagem, de superioridade, de senha secreta para um ingresso num círculo de privilegiados.
Conhecer a história da língua, a tradição gramatical, a riqueza do nosso vocabulário, a beleza da nossa literatura oral e escrita, o potencial de nossa linguagem – tudo isso é muito bom, é precioso e deve ser cultivado. Só não podemos admitir que alguém transforme tudo isso numa arma, num arame farpado, numa cerca eletrificada ou em qualquer outro instrumento de exclusão social.
(BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim: em defesa do português brasileiro. 2. Ed. São Paulo: Parábola, 2010, p. 29)
Para Othon M. Garcia (2007) conotação é “uma espécie de emanação semântica, possível graças à faculdade de associação de ideias inerentes ao espírito humano, faculdade que nos permite relacionar coisas análogas ou assemelhadas. Esse é, em essência, o traço característico do processo metafórico, pois toda metaforização é conotação (mas a recíproca não é verdadeira: nem toda conotação é metaforização).”
Observe os excertos retirados do texto:
I. “ (...) verdadeira questão social implicada nisso tudo não tem a ver com o fato de se usar a regra A ou a regra B.”
II. “(...) eu sou mais inteligente, estou mais preparado para exercer o comando ...”
III. “(...) como se saber a regência “correta” do verbo implicar implicasse em algum tipo de vantagem, de superioridade, (...)”
IV. “Conhecer a história da língua, a tradição gramatical, a riqueza do nosso vocabulário, a beleza da nossa literatura oral e escrita, o potencial de nossa linguagem – tudo isso é muito bom, é precioso e deve ser cultivado.”
V. “Só não podemos admitir que alguém transforme tudo isso numa arma, num arame farpado, numa cerca eletrificada (...)”
É CORRETO afirmar que a linguagem conotativa foi utilizada para criticar o uso da língua como mecanismo que evidencia o preconceito socioeconômico em: