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Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Sobre o poema acima, afirma-se:
I. O soneto possui versos decassílabos com exceção do 12º verso, que se apresenta em hendecassílabo, corroborando a ousadia dos escritores modernistas.
II. Possui um refinamento linguístico semelhante ao dos poetas parnasianos, embora, ironicamente, constitua um texto modernista.
III. Na segunda estrofe, o amor tematizado pelo poeta oscila entre a ideia de subserviência, comum no Trovadorismo português, e a de infinitude, presente no Romantismo.
Estão corretas as afirmativas