///
A cigarra e a formiga I – A FORMIGA BOA Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé dum formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento, então, era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas, mas o bom tempo afinal passou, e vieram as chuvas. Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas. A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém. Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. [...] II - A FORMIGA MÁ Já houve, entretanto, uma formiga má que não soube compreender a cigarra e, com dureza, a repeliu de sua porta. Foi isso na Europa, em pleno inverno, quando a neve recobria o mundo com seu cruel manto de gelo. A cigarra, como de costume, havia cantado sem parar o estio inteiro, e o inverno veio encontrá-la desprovida de tudo, sem casa onde se abrigar nem folhinha que comesse. Desesperada, bateu à porta da formiga e implorou (emprestado, notem!) uns miseráveis restos de comida. Pagaria com juros altos aquela comida de empréstimo, logo que o tempo o permitisse, mas a formiga era uma usurária sem entranhas, além disso, invejosa. Como não soubesse cantar, tinha ódio à cigarra por vê-la querida de todos os seres. – Que fazia você durante o bom tempo? – Eu… eu cantava! – Cantava? Pois dance agora, vagabunda! – e fechou-lhe a porta no nariz. Resultado: a cigarra ali morreu entanguidinha; quando voltou a primavera, o mundo apresentava um aspecto mais triste. É que faltava na música do mundo o som estridente daquela cigarra, morta por causa da avareza da formiga, mas, se a usurária morresse, quem daria pela falta dela? Moral: Os artistas, poetas, pintores e músicos são as cigarras da humanidade.
A palavra cigarra apresenta vários significados, ou seja, trata se de um termo polissêmico. Então, marque, entre as acepções abaixo, extraídas de Houaiss (2009), aquela que essa palavra apresenta no texto em estudo: