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Vera examina mais uma vez o quadro das conjugações, dessa vez com ar pensativo. Volta-se para Irene e diz: [...]
— Esse quadro de conjugação do português padrão clássico é o que a gente aprende e ensina na escola...
— Isso mesmo. O que tem ele? — pergunta Irene, interessada.
[...]
— É essa história de fazer os alunos decorarem as formas conjugadas de tu e vós — responde Vera. — Ninguém mais usa essas formas. Quando é que a gente ouve alguém falando “vós vos divertistes muito”?
— Mais uma vez sua intuição está correta, Verinha — diz Irene.
— Esse quadro de conjugação que as gramáticas tradicionais apresentam tem realmente alguns problemas para o ensino, justamente por estar muito distante da língua viva dos falantes do português brasileiro. O pronome tu, por exemplo, no Brasil, é usado em algumas regiões específicas, e raramente a forma verbal que o acompanha corresponde à das gramáticas e livros didáticos. O pronome vós, então, como você bem notou, é um verdadeiro dinossauro linguístico: está extinto na fala dos brasileiros há muito tempo...
— E mesmo assim a gente tem que empurrar essas coisas pela goela abaixo dos alunos — queixa-se Emília. — Eu mesma me confundo toda com essa quantidade de s que aparece nos verbos de tu e de vós... Se vós supusésseis a dificuldade que tenho...
Vera, Sílvia e Irene sorriem.
No excerto “O pronome tu, por exemplo, no Brasil, é usado em algumas regiões específicas” (l. 12), constata-se uma alusão à variação: