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As mais belas histórias Entre elas, a que fez aprender a não pegar doces escondido No final de cada capítulo de Fala, memória que estou lendo, paro pra pensar. De noite, como Vladimir Nabokov, coloco a cabeça no travesseiro na tentativa de esmiuçar a memória, ir o mais longe possível para reconstruir a caminhada, passo a passo, desde pequenininho. Até adormecer. [...] Lembro-me perfeitamente do primeiro ano, quando Dona Maria Augusta Toscano colocou nas minhas mãos um livro chamado As Mais Belas Histórias, de Lúcia Casasanta. [...] Minha professora tinha uma pilha de livros em cima da mesa, todos eles meio estropiados, judiados pelo tempo. Mas as mais belas histórias ali dentro, estavam intactas. Foi nesse dia que comecei a pegar gosto pela leitura. As histórias do livro tinham uma linguagem simples e eu, que acabara de aprender a ler, conseguia ir até o fim de cada uma delas, acompanhando a leitura com uma régua que ia deslizando, frase por frase. Foi paixão à primeira vista por esse livro, que tinha uma capa azul e desenhos de um espantalho, um coelho, um porquinho, três crianças, um príncipe, uma bruxa e uma Rapunzel jogando suas tranças da janela de um castelo. Dona Maria Augusta deixava os alunos levarem os livros pra casa, contando que não os estragassem e que trouxessem de novo para o colégio, no dia seguinte. Ia pegando gosto pela leitura a cada história que lia. Que me perdoe, Vladimir Nabokov, mas não me lembro de todas. Um dia vou conseguir buscar na minha memória todas elas, uma a uma. [...] Eu nunca me esqueci da história daquela outra menina que foi a uma festa de aniversário e, muito gulosa, pensou em levar, escondido, um punhado de doces pra casa. [...] Li e reli essa história inúmeras vezes. E cada vez que lia, sofria com aquela menina que tanta vergonha passou. Caro Vladimir Nabokov, tenho certeza que foram essas histórias que me fizeram gostar tanto de ler e também de contar histórias. E acho que essa última, em particular, me ensinou também a nunca pegar um doce numa festa e levar pra casa, escondido.
Com base nas regras de flexão nominal e flexão verbal e com base no aspecto semântico (o sentido das palavras e da interpretação dos enunciados de acordo com o contexto), observe o seguinte excerto “Eu nunca me esqueci da história daquela outra menina” (l. 19) e aponte a alternativa em que todas as palavras desse excerto foram corretamente flexionadas apenas em número, de acordo com o contexto.